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Sejam todos bem vindos ao blog "Endocrinologia : segredos da vida saudável".
Muito se fala em vida saudável nos dias de hoje, mas poucos sabem do que se trata realmente ter uma vida assim. Praticar, então, essa tal vida saudável, fica mais difícil ainda! Há muita informação no mídia, internet, jornais, entretanto muitas são as dúvidas...
Este espaço foi criado para divulgação de informações sobre tópicos relacionados a saúde, atividade física, dietas e assuntos afins, com um foco especial na área da Endocrinologia, na qual atuo.
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terça-feira, 1 de julho de 2014

Deficiencia de testosterona na mulher



A testosterona é o principal hormônio masculino. Obviamente é muito importante para a saúde e bem estar dos homens. Mas, recentemente, as mulheres estão sendo medicadas com este hormônio e esta parece ser a nova onda do momento.
Será que há, de fato, razão para isso? Mulher precisa de testosterona? Nos últimos meses temos sido procurados por jovens com queixa de queda da libido (desejo sexual) ou falta de orgasmo e isto foi atribuido à diminuição de testosterona.
Mulheres naturalmente tem níveis baixos de testosterona ou outros androgenios. Nelas, esses hormonios sao produzidos pelos ovarios e glandulas adrenais. Ajudam na  libido, no vigor fisico e manutençao da massa muscular. Mas, atentem, estes efeitos também são realizados pelo estradiol- hormonio natural da mulher.

Existem, na mulher, doenças causadas por excesso de testosterona ou de outros androgenios, mas a deficiencia é pouco comum e só deve ser considerada importante em casos especificos. Como exemplo, a retirada dos ovarios ou das glandulas adrenais por cirurgias ou por raros casos de doenças que destroem estas glandulas. Nestes casos, sim, pode-se considerar reposiçao de baixas doses de testosterona por via cutanea, atraves do uso diario de gel.
Esse tratamento deve ser feito com cautela pois o uso inadequado e em doses altas podem  trazer efeitos colaterais sérios, como acne, aumento de pelos escuros em areas pouco tipicas da mulher como face, tronco, pernas e braços (hirsutismo), voz grossa, aumento do clitóris, aumento da massa de celulas vermelhas no sangue e trombose. Em casos mais raros e com doses muito altas, predispõe a mulher ao infarto do miocárdio.
As queixas relativas a deficiencia de androgenios na mulher são muito vagas e podem ser fruto de transtornos do humor, como depressão moderada. Nesses casos há desanimo, cansaço, desinteresse e falta de libido. O desejo sexual é multifatorial e depende do entrosamento do casal sendo influenciado por problemas externos, cobranças, brigas, etc. Ou seja, depende muito do "clima" e de uma serie de incontaveis fatores. A testosterona, se de fato estiver muito baixa, o que já é difícil de comprovar, é apenas um aspecto e nem de longe o mais importante. Tratar uma mulher jovem, que tem ovarios e adrenais funcionando, através do uso da testosterona não só não tem beneficio como pode ter muitos maleficios. Ano passado, a Sociedade Americana de Endocrinologia (The Endocrine Society) publicou uma diretriz exclusivamente de uso de androgenios na mulher ratificando esse posicionamento.
Portanto, cuidado com o modismo. Vamos evitar a criaçao de novas doenças com tratamentos inadequados. Nem tudo pode ser "medicalizado". (Colaboração Dr Amelio F de Godoy Matos)

domingo, 24 de novembro de 2013

Estou de volta com novidades!!! Afinal, o que mesmo faz a testosterona?

Após um longo tempo sem escrever estou de volta! Inicialmente gostaria de justificar minha ausência: acabei de ter uma filha e para aqueles que já passaram por isso sabem que não é fácil equacionar vida profissional com um neném recém nascido. Nem sempre eles estão calmos e serenos como nesta foto...


Pois bem, agora recomeço com gás total. Eu dei uma parada, mas o conhecimento não para de crescer... 
Minha inspiração para este recomeço foi uma materia recem publicada numa das revistas de mais renome no meio científico, New England Journal of Medicine, que em muito esclarece sobre o papel biológico da testosterona. Num estudo muito bem bolado e conduzido, trataram homens de modo que ficasse bloqueada a produção de hormonio masculino TESTOSTERONA. Trataram estes homens, então, com testosterona injetavel somente ou com testosterona injetavel associada a um bloqueador da conversao deste hormonio (ANASTROZOL) a estrona (que é um hormonio feminino). Naturalmente, parte da testosterona produzida pelo organismo masculino ou administrada por meio de injecões é convertida a esse hormonio feminino. Esses pesquisadores queriam saber qual o real papel do hormonio masculino (testosterona) nas funções atribuídas a ele, como:
aumento da libido
aumento de massa muscular
aumento de celulas vermelhas no sangue (hemácias)
diminuição de massa gorda (tecido adiposo)
aumento da potência sexual, sendo os principais.
O que surpreendeu a todos foi que, ao contrario do que se pensava, o hormônio feminino, quando a testosterona é convertida a estrona, é que é responsavel pela diminuição do percentual de gordura . A testosterona, exclusivamente, parece sim ter importancia nos quesitos percentual de massa magra, força muscular e tamanho do musculo. A manutenção da libido e da potencia sexual foram influenciados por ambos os hormônios, dependendo de ambos para ter sua função normal. Essas informações quebram paradigmas e ratificam que estamos sempre aprendendo... Nenhum conhecimento é absoluto!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

"Eu tenho tireoide!" Mas será que é só você que tem?


Uma frase muito frequentemente ouvida por médicos, mas especialmente pelos endocrinologistas é : “Doutor(a), eu tenho Tireoide!”. Sempre que ouço essa frase penso: “Graças a Deus!!!”. Isso porque o normal e saudável é nós termos a glândula Tireoide, localizada no pescoço, funcionando bem. O que algumas pessoas tem, além da Tireoide, seria um mal funcionamento desta glândula ou nodulações dentro da glândula, que podem, em alguns casos corresponder a uma doença mais grave nesta glândula (falarei disso num segundo post).  O site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia esclarece muito bem sobre o que é a “Tireoide” e as alterações nesta glândula: http://www.endocrino.org.br/tireoide/



Os problemas mais comumente encontrados na glândula tireóide são a baixa função dessa glândula, chamado hipotireoidismo, ou a hiperfunção (quando a tireóide funciona mais que o necessário), chamado hipertireoidismo.
No hipotireoidismo os sintomas mais comuns são moleza, cansaço, sono excessivo, pele seca, ganho de peso ou dificuldade para perder peso. Alterações menstruais e de fertilidade (dificuldade para engravidar) podem ocorrer nas duas condições. Ambas as doenças, hipo ou hipertireoidismo podem acontecer em qualquer momento da vida. A Gestação, entretanto, é um período de maior risco de alteração da tireoide, que pode ser passageira, mas deve ser acompanhada.

No hipertireoidismo, a Tireoide libera muito homônimo, causando uma aceleração no metabolismo. São comuns sintomas como perda de peso, taquicardia (coração acelerado, palpitações), arritmias cardíacas, nervosismo, dificuldade para dormir, olhar vivo (olho arregalado) e pele fina e quente, dentre outros sintomas. Também podemos observar crescimento da tireóide na frente de pescoço (bócio).


O acompanhamento por um médico endocrinologista é essencial quando se descobre alguma alteração na Tireoide, pois este profissional pode não só avaliar e tratar a condição atual como prever implicações destas doenças ao longo do tempo. Não deixe de consultá-lo!!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Vitamina D baixa pode causar novos ataques de Esclerose Múltipla

Já falamos anteriormente sobre os benefícios e a importância da vitamina D. Estudos sobre a influência da vitamina D na nossa saúde, entretanto, não param de ser divulgados. Recentemente publicado na revista “Annals of Neurology”, um estudo mostra a relação entre deficiência desta vitamina e novos "ataques” da doença Esclerose Múltipla. A esclerose múltipla é uma doença que leva a perda progressiva de funções neurológicas e acontece em "surtos", ou seja, de tempos em tempos a doença "ataca" e acomete uma parte diferente do sistema nervoso levando a um deficit da função desta parte, ocasionando uma "sequela neurológica" ou a perda de uma função, como por exemplo, o movimento da uma parte do corpo, dificuldade na fala, dentre outros. Não há cura para esta doença e os tratamentos visão diminuir a quantidade e a frequencia desses surtos de reativação.


Observando pacientes que já tinham o diagnóstico de Esclerose Múltipla, um grupo de pequisadores da Universidade da Califórnia comparou os níveis de vitamina D no sangue e a atividade da doença. De 2004 a 2009 foram avaliados 469 pessoas. Os pesquisadores concluíram que, naqueles que tinham deficiência de vitamina D, o risco era maior de novos surtos da doença e também de piora das lesões ativas. Além disso, a reposição de vitamina D diminuía tanto novos surtos como gravidade das lesões ativas (cada 10 ng/ml de aumento na vitamina D diminuía o risco em 15% de novas lesões e em 32% de lesões ativas).

Mais um estímulo para cuidar da nossa vitamina D!

domingo, 20 de janeiro de 2013

Hormônio da tireoide: consumo para emagrecimento


Hormônio da tireoide tem onda de consumo para emagrecimento

  • Moda de consumo de medicamento em academias foi identificada por Conselho Regional de Educação Física

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/hormonio-da-tireoide-tem-onda-de-consumo-para-emagrecimento-7339685#ixzz2IWTxBbG9
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   O Jornal “O Globo” deste domingo publicou uma reportagem ALERTA sobre o uso, por conta própria ou indicado de forma equivocada, de hormônio tireoidiano com "emagrecedor". Fato esse grave e coloca em risco a VIDA de quem se submete a esse uso. Mas será que isso é mesmo uma novidade? Quais os riscos? Qual o preço que estamos dispostos a pagar por um corpo esculpido?





   O uso de hormônios tireoidianos "manipulados", seja explicitamente em fórmulas para emagrecer os disfarçadamente com codinomes como "tiratricol" ou sob nome de "produtos naturais", tem relatos bem antigos. Inclusive foi de certa forma "aceito" na década de 80 com a justificativa de tentar normalizar o nível do hormônio tireoidiano ativo (T3 total) que diminui nas dietas de baixa caloria. Posteriormente, demonstrou-se que essa diminuição era fisiológica e a reposição não trazia benefício ao emagrecimento, acrescentado, sim, riscos inaceitáveis. O uso, seja do precursor do hormônio tireoidiano (T4) ou do hormônio em sua forma ativa (T3, triiodotironina, tiratricol), para emagrecimento baseia-se no fato que esse hormônios aceleram o metabolismo induzindo um estado de hipertireoidismo e altíssimo gasto calórico. O que os “médico” ou “curiosos da área de emagrecimento” não divulgam (será que eles sabem?) é que esse hipertireoidismo não se restringe ao metabolismo energético mas provoca:
1.    Taquicardia (aumento da frequência dos batimentos cardíacos)  com alto risco de ARRITMIAS como fibrilaçãoo atrial, flutter atrial, podendo provocar infarto no coração e DERRAME CEREBRAL (AVC isquêmico) !!!!
2.    INSUFICIÊNCIA CARDIACA
3.    Consumo muscular, com diminuição de massa muscular e fraqueza muscular
4.    Alterações psiquiátricas como alucinações, esquizofrenia, quadros ansiosos, insônia.
5.    Tremores
6.    Alterações menstruais e de fertilidade

   E o pior é que as pessoas ainda se submetem a esses tratamentos!! Enquanto estava escrevendo este post parei para um almoço de domingo entre amigos médicos. O assunto é claro incluía comentários de “casos clínicos”. Um amiga intensivista, então, relatou um caso recente internado nesta última semana no CTI de um grande hospital do Rio de Janeiro, de uma mulher de meia idade que apresentou insuficiência cardíaca e respiratória ficando em estado MUITO GRAVE , entubada e sob suporte de drogas e aparelhos  após uso de hormônios tireoidianos de “reposição”. Usava doses altas de T4 e T3 (o que é proscrito atualmente!). Tinha níveis de hormônios no sangue 18 vezes maior do que o máximo da normalidade !!!! Ficou uma semana em estado MUITO GRAVE sob esforços intensos de toda equipe para controlar esse hipertireoidismo. Graças a Deus e a equipe de médicos, enfermeiros e farmacêutico maravilhosa, que a assistiam, se recuperou. Vale a pena?
Outro fato importante é o depois... O uso exógeno desse hormônios bloqueia a produção normal pela tireoide. O retorno das funções normais pode demorar de 1 a 12 meses para se recuperar. Durante esse período a pessoa fica em HIPOTIREOIDISMO que é justamente o oposto vivido anteriormente. Um estado igualmente perigoso e que lentifica o metabolismo. Mais uma vez, será que isso vale a pena? Até quando vamos ficar depositando nossas energias procurando “milagres” que por enquanto não existem? Vale a pena confiar nossas vidas a esse “picaretas”. Na dúvida, basta consultar o site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Sociedade Brasileira de Obesidade. Nesta paginas existem avisos, reportagens e informações sempre atualizadas sobre o que é ou não aceitável como tratamento na área de emagrecimento. Vale também conhecer a formação do seu médico, se é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela SBEM. Não confie seu maior bem, sua vida, nas mãos de qualquer um!!




quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Obesidade, diabetes e bactérias intestinais. Qual a relação entre eles?



Após um longo período sem escrever estou de volta, e com força total! Não, eu não deixei  de estudar! Ocorre  que gosto de escrever sobre algo que  desperte a minha curiosidade e a de vocês (imagino...). Gosto de estar inspirada, e nas ultimas semanas não estava muito... Bom, o assunto que escolhi para falar foi um tema que foi enviado por uma professora da USP nesta semana e coincidentemente saiu na Revista Veja também. Qual a influência das bactérias intestinais no nosso peso corporal e na chance de termos DIABETES? Já tinha abordado este assunto num post anterior, mas agora tenho detalhes interessantes.

Quando nascemos nosso intestino não possui nenhuma bactéria. É estéril. A medida que nos alimentamos e temos contato com nossos pais, vamos sendo "colonizados" por bactérias intestinais. Até recentemente, acreditava-se que essas bactérias protegiam o intestino de infecções por outras bactérias nocivas a saúde e que poderiam nos causar doenças sérias. Sim, isso ainda é verdade. O que estamos descobrindo é que essas bactérias além dessa função, protetora, também podem ser responsáveis por OBESIDADE e DIABETES. Isso é incrível ! (na minha humilde opinião) Lembro-me quando ainda na faculdade estudei que podiam ser identificadas bactérias nas placas de ateroesclerose, do coração, sendo levantada a hipótese que a doença coronariana seria desencadeada por infecção bacteriana. Em seguida, a síndrome metabólica (que é a combinação de diabetes, obesidade, principalmente no abdome, aumento de colesterol e triglicerídeos, e pressão alta) foi associada a um estado INFLAMATÓRIO tal e qual o que ocorre durante infecções. Agora, temos evidências de que dependendo da "qualidade das bactérias intestinais" podemos desenvolver DIABETES e OBESIDADE. Todos esses dados juntos são muito interessantes.
OK, mas quais são as evidências dessa hipótese de bactérias intestinais causando obesidade e diabetes? Em 2009 saiu um artigo na revista Science (Science, 29 May 2009, p. 1136) no qual ratos obesos emagreceram, mantendo sua dieta, após terem sido tratados previamente com antibióticos e , posteriormente, terem sua microbiota (bactérias residentes no intestino) substituída pela de outros ratos naturalmente magros. Nesta época, um microbiologista chinês, Zhao Liping, que estava lutando com a obesidade, resolveu testar nele mesmo essa teoria. Tinha engordado 30 kg durante sua pós-graduação e sofria com as consequências da síndrome metabólica. Começou, então, a utilizar uma raiz chinesa (um tubérculo parecido com batata doce) e uma fruta chamada bitter melon. Em comum, ambos os alimentos são conhecidos por suas propriedades PROBIOTICAS. Estimulam o crescimento de algumas bactérias em detrimentos de outras no intestino, mudando o perfil da microbiota intestinal. O resultado foi que o pesquisador EMAGRECEU 20 kg em 2 anos.


 Seus problemas decorrentes do excesso de peso cessaram e ele conseguiu manter esse peso até agora. analisou o perfil de bactérias das próprias fezes e percebeu que elas eram de qualidade e proporção (quantidade) diferentes!! Mas como bom pesquisador, Zhao sabia que "sua experiência pessoal" apenas não seria suficiente para convencer o mundo de sua teoria. Iniciou uma série de estudos sendo um deles com um grupo de 123 indivíduos obesos (com IMC>30) submetidos a uma dieta com prebióticos. Noventa e três pessoas completaram o estudo, tendo emagrecido 7Kg. As toxinas intestinais e as bactérias intestinais eram totalmente diferentes. Animado com esses resultados, está conduzindo uma nova pesquisa, agora em 3 cidades diferentes da China com um total de 1000 pessoas! Num outro estudo, agora realizado na Holanda, outro grupo de pesquisadores estudando pessoas obesas e diabéticas, apenas utilizando alimentos pro bióticos, sem mudar a rotina de alimentação e atividade física, observou uma diminuição de peso e melhora do diabetes.
Bactéria que causam menos "inflamação" seriam mais benignas dando chance para o organismo atingir um novo equilíbrio, mais saudável.

Esses resultados são animadores, mas o principal recado é que ainda temos que aprender muito no quesito diabetes e obesidade!! Para isso, é primordial continuar investindo em pesquisa básica.... mas existe luz no fim do túnel!!!


Esta imagem foi retirada da revista Veja ed 2297- ano 45- n 48