Muito se fala em vida saudável nos dias de hoje, mas poucos sabem do que se trata realmente ter uma vida assim. Praticar, então, essa tal vida saudável, fica mais difícil ainda!
Há muita informação no mídia, internet, jornais, entretanto muitas são as dúvidas...
Este espaço foi criado para divulgação de informações sobre tópicos relacionados a saúde, atividade física, dietas e assuntos afins, com um foco especial na área da Endocrinologia, na qual atuo.
Aproveitem!!!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Gestação e tireóide

Nesta semana atendi duas gestantes com hipotireoidismo subclínico. A primeira, apesar de ter uma história familiar bem positiva para doença da tireóide, mãe e pai (que é mais raro!) e de já ter tido nódulos e aumento da tireóide no passado, nunca tinha se preocupado com isso. Ficou grávida com facilidade, mesmo já tendo 34 anos (o que poderia atrapalhá-la) e então foi alertada que deveria cuidar da sua tireóide. A segunda , médica, achava que estava tudo bem com a tireoide. Viu o exame dentro dos valores de referência de normalidade e mesmo com sintomas de hipotireoidismo, extremo cansaço, fraqueza, sonolência incapacitante, inchaço, muito piores do que aqueles da primeira gestação, foi tocando a vida. Interessante notar que não me procurou em consulta. Nos encontramos no corredor e, num papo amigável e informal, foi feito o diagnóstico e ela foi desviada do seu caminho direto para o meu consultório!
Mas quando um mulher que está grávida deve preocupar-se com sua tireóide?
A melhor resposta é: desde antes da gestação! Alterações da glândula tireóide, mesmo as ditas "subclínicas" podem atrapalhar o início da gestação, sendo uma causa de infertilidade, reversível com o tratamento. Mulher com história familiar de doença da tireóide, principalmente de doença autoimune, que é a mais comum, devem fazer obrigatoriamente o rastreamento com avaliação da função da tireóide (TSH e T4L no sangue) e da presença de anticorpos contra a tireoide ( anti TPO e anti TG). esmo com função tireoidiana dentro dos valores laboratoriais de normalidade, tem benefício em serem tratadas aquelas com anticorpo anti TPO em valores altos (anti TPO maior que 1000) ou com TSH maior que 2,5. Este é o valor considerado NORMAL principalmente para gestante, mostrando menor índice de perda fetal (desde a situação da concepção ate abortos precoces). Com esse valor de TSH obteve-se o melhor resultado, restituindo a fertilidade e conseguindo-se levar a gestação até o tempo certo. Além disso, durante a gestação acontecem modificações na fisiologia da mulher que podem levar a descompensação de mulher que vinham tolerando bem um hipotireoidismo subclínico. Este pode tornar clinicamente evidente e com sintomas ruins como sonolência excessiva, ganho de peso maior que o desejado e esperado, inchaço nas pernas e face, unhas quebradiças, prisão de ventre, dentre outros. Outro fato muito importante é que o hormônio tireoidiano é essencial para o desenvolvimento do neném dentro do útero, principalmente para o sistema nervoso central. O homônio tireoidiano utilizado pelo neném é o proveniente da mãe até pelo menos 12 semanas de gestação. Nesta época (12-13 semana) o neném já começa a produzir seu próprio homônio, pois já tem tireoide formada e funcionando, e fica menos dependente do homônio materno. Logo, principalmente nas primeiras 12 semanas a mulher tem que ter um bom nível de homônio para suprir as suas necessidade e as do neném.
Futuras mamãe atenção !!!! Ter uma avaliação da função da tireóide é muito importante antes e durante a gestação.
Até breve!!

2 comentários:

  1. Estou fazendo os exames pre concepcionais: TSH deu 3,3 e anti-TPO 92U/ml. Tenho 36 anos, um filho de 3 e minha médica está de férias. Posso iniciar as tentativas de engravidar?

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  2. Fiz o meu anti TPO com 20 semanas de gestação e deu 289,4 UL isso e ruim?

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