Muito se fala em vida saudável nos dias de hoje, mas poucos sabem do que se trata realmente ter uma vida assim. Praticar, então, essa tal vida saudável, fica mais difícil ainda!
Há muita informação no mídia, internet, jornais, entretanto muitas são as dúvidas...
Este espaço foi criado para divulgação de informações sobre tópicos relacionados a saúde, atividade física, dietas e assuntos afins, com um foco especial na área da Endocrinologia, na qual atuo.
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Obesidade, diabetes e bactérias intestinais. Qual a relação entre eles?



Após um longo período sem escrever estou de volta, e com força total! Não, eu não deixei  de estudar! Ocorre  que gosto de escrever sobre algo que  desperte a minha curiosidade e a de vocês (imagino...). Gosto de estar inspirada, e nas ultimas semanas não estava muito... Bom, o assunto que escolhi para falar foi um tema que foi enviado por uma professora da USP nesta semana e coincidentemente saiu na Revista Veja também. Qual a influência das bactérias intestinais no nosso peso corporal e na chance de termos DIABETES? Já tinha abordado este assunto num post anterior, mas agora tenho detalhes interessantes.

Quando nascemos nosso intestino não possui nenhuma bactéria. É estéril. A medida que nos alimentamos e temos contato com nossos pais, vamos sendo "colonizados" por bactérias intestinais. Até recentemente, acreditava-se que essas bactérias protegiam o intestino de infecções por outras bactérias nocivas a saúde e que poderiam nos causar doenças sérias. Sim, isso ainda é verdade. O que estamos descobrindo é que essas bactérias além dessa função, protetora, também podem ser responsáveis por OBESIDADE e DIABETES. Isso é incrível ! (na minha humilde opinião) Lembro-me quando ainda na faculdade estudei que podiam ser identificadas bactérias nas placas de ateroesclerose, do coração, sendo levantada a hipótese que a doença coronariana seria desencadeada por infecção bacteriana. Em seguida, a síndrome metabólica (que é a combinação de diabetes, obesidade, principalmente no abdome, aumento de colesterol e triglicerídeos, e pressão alta) foi associada a um estado INFLAMATÓRIO tal e qual o que ocorre durante infecções. Agora, temos evidências de que dependendo da "qualidade das bactérias intestinais" podemos desenvolver DIABETES e OBESIDADE. Todos esses dados juntos são muito interessantes.
OK, mas quais são as evidências dessa hipótese de bactérias intestinais causando obesidade e diabetes? Em 2009 saiu um artigo na revista Science (Science, 29 May 2009, p. 1136) no qual ratos obesos emagreceram, mantendo sua dieta, após terem sido tratados previamente com antibióticos e , posteriormente, terem sua microbiota (bactérias residentes no intestino) substituída pela de outros ratos naturalmente magros. Nesta época, um microbiologista chinês, Zhao Liping, que estava lutando com a obesidade, resolveu testar nele mesmo essa teoria. Tinha engordado 30 kg durante sua pós-graduação e sofria com as consequências da síndrome metabólica. Começou, então, a utilizar uma raiz chinesa (um tubérculo parecido com batata doce) e uma fruta chamada bitter melon. Em comum, ambos os alimentos são conhecidos por suas propriedades PROBIOTICAS. Estimulam o crescimento de algumas bactérias em detrimentos de outras no intestino, mudando o perfil da microbiota intestinal. O resultado foi que o pesquisador EMAGRECEU 20 kg em 2 anos.


 Seus problemas decorrentes do excesso de peso cessaram e ele conseguiu manter esse peso até agora. analisou o perfil de bactérias das próprias fezes e percebeu que elas eram de qualidade e proporção (quantidade) diferentes!! Mas como bom pesquisador, Zhao sabia que "sua experiência pessoal" apenas não seria suficiente para convencer o mundo de sua teoria. Iniciou uma série de estudos sendo um deles com um grupo de 123 indivíduos obesos (com IMC>30) submetidos a uma dieta com prebióticos. Noventa e três pessoas completaram o estudo, tendo emagrecido 7Kg. As toxinas intestinais e as bactérias intestinais eram totalmente diferentes. Animado com esses resultados, está conduzindo uma nova pesquisa, agora em 3 cidades diferentes da China com um total de 1000 pessoas! Num outro estudo, agora realizado na Holanda, outro grupo de pesquisadores estudando pessoas obesas e diabéticas, apenas utilizando alimentos pro bióticos, sem mudar a rotina de alimentação e atividade física, observou uma diminuição de peso e melhora do diabetes.
Bactéria que causam menos "inflamação" seriam mais benignas dando chance para o organismo atingir um novo equilíbrio, mais saudável.

Esses resultados são animadores, mas o principal recado é que ainda temos que aprender muito no quesito diabetes e obesidade!! Para isso, é primordial continuar investindo em pesquisa básica.... mas existe luz no fim do túnel!!!


Esta imagem foi retirada da revista Veja ed 2297- ano 45- n 48


quinta-feira, 18 de março de 2010

Antibiótico pra tratar obesidade

Infecção bacteriana pode causar obesidade? Qual o papel de bacterias intestinais na obesidade?


Um artigo recente publicado na Science produziu certo alvoroço na mídia e na comunidade científica. Publicado em 4 de março, este artigo sugere que a colonização intestinal por certas bactérias poderia determinar obesidade nesta população.

"Previous research has suggested that bacteria can influence how well energy is absorbed from food, but these findings demonstrate that intestinal bacteria can actually influence appetite," Dr. Andrew Gewirtz of Emory University in Atlanta. ("Pesquisas anteriores sugerem que bacterias podem influenciar em como a energia é absorvida da comida, mas estas evidencias demonstram que bactérias intestinais podem realmente influenciar no apetite.")


Dr. Gewirtz afirma que a sua pesquisa sugere que bactérias podem desempenhar um papel importante na epidemia de obesidade - provavelmente porque bactérias oportunistas vieram substituir outras que morreram em consequencia do uso de antibióticos, acesso a água limpa e outros fatores da vida moderna. Isso tudo foi descoberto por "acidente". O grupo estava estudando ratos com colite. Ratos nascidos de "mães" com colite eram retirados da presença de suas mães biológicas para previnir colonização por bacterias intestinais da mãe. Essa colonização, do intestino e da pele, normalmente ocorre logo após o nascimento e persiste por toda vida do animal. O perfil da bactérias que colonizam o bebê é muito semelhante ao perfil de bactérias da mãe. Os bebes ratinhos do experimento, quando submetidos a colonização diferente da sua mãe, não apresentava mais colite porém apresentava obesidade e síndrome metabólica- incluindo resistencia insulinica, que parece ser o ponto chave. Dr Gewirtz e colegas referenciam estudo em que ratos magros transfectados com bactérias intestinais de obesos tornam-se obesos também.

Acredita-se que essas bactérias produzem inflamação intestinal e que essa inflamação contribua para resistencia insulínica e síndrome metabólica.

Eles agora estão estudando que bactérias são essas, presentes nos obesos, e como tratá-las.

É importante notar que mesmo nessa população com mais tendência a obesidade a limitação da comida foi eficaz em previnir ganho de peso. Isso reafirma a importância da dieta na gênese e prevenção da obesidade.