Muito se fala em vida saudável nos dias de hoje, mas poucos sabem do que se trata realmente ter uma vida assim. Praticar, então, essa tal vida saudável, fica mais difícil ainda!
Há muita informação no mídia, internet, jornais, entretanto muitas são as dúvidas...
Este espaço foi criado para divulgação de informações sobre tópicos relacionados a saúde, atividade física, dietas e assuntos afins, com um foco especial na área da Endocrinologia, na qual atuo.
Aproveitem!!!
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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Voltando a forma pós parto: parte 2

   Dando continuidade ao post anterior retorno, após 3 semanas do início do meu programa de "recuperação pós parto", já se foram 2 kg. Neste período não foram pequenas as dificuldades. Vou falar neste post das armadilhas da dieta no período pós parto. 


"Armadilhas da dieta no pós parto"

1. Noites mal dormidas.
Estes primeiros meses são difíceis para todos. Com o passar dos meses, os bebês vão aprendendo a dormir melhor, mas algumas crianças em especial ainda podem acordam de 2/2 h ou despertar no meio da noite e lá se foi o sono. Dias e dias de noites mal dormidas rendem um cansaço sem igual! E isso pode minar todo e qualquer desejo de seguir uma dieta ou um programa de atividade física. 
Descansar durante o dia enquanto o bebe dorme ajuda. Pedir auxílio e delegar os cuidados com o bebê ajuda muito nesse processo. Combine com uma avó, tia ou amiga e pelo menos 2 x na semana tire um tempo pra você fazer uma atividade física ou dormir sem preocupação. Deixe o pai se envolver neste processo! Tirando a amamentação ele pode e deve se envolver em todas as outras tarefas.

2. Visitas que trazem doces e chocolates.
Muitas visitas querem agradar e atenuar o cansaço e trazem doces como um mimo. Avós talentosas também presenteiam a "mamãe" cansada com bolinhos regulares. Seja honesta com as visitas e com você mesmo e sempre que possível avise que está quer voltar logo a forma. Se for inevitável, divida os "agrados" com vizinhos, porteiros e quem mais estiver por perto.
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3. Depressão pós parto, "Blues " puerperal.
Algumas mulheres podem experienciar um período de tristeza e até depressão nos primeiros meses pós parto. Não adianta afogar as mágoas e compensar na comida. Procure ajuda especializada, converse com seu obstetra e se necessário consulte um psiquiatra. 

4. Confinamento 
Até que todas as primeiras doses de vacinas sejam aplicadas, muito pediatras recomendam que os bebês permaneçam em casa e isso pode significar 3 meses de confinamento ou passeios restritos. ficar esse tempo em casa afogada na rotina de cuidados sem fim do bebê podem levar qualquer um a loucura. Ou pior, a comer. Não seja radical. Negocie passeios a lugares abertos, restaurantes sem muita concentração de pessoas, lugares públicos fora dos horários de pico de movimento. Saia e espaireça. Fará muito bem para cabeça e para sua dieta!

5. Fome desvairada
Amamentar, principalmente nos 2 primeiros meses causa uma fome danada! Durante a noite, isso ainda pode ser pior. Programe lanches saudáveis e dentro do seu programa alimentar. A dieta mais rica em proteínas ajuda e muito na saciedade, além de garantir um leite rico em proteínas essenciais para um bom desenvolvimento do bebê. Invista em fibras e suplementos alimentares que promovam saciedade. Quais suplementos? Estes serão abordados no meu próximo post desta série que vai falar sobre medicação para obesidade e suplementos nesta fase. Posso usar com segurança? Quais?

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Voltando a forma pós parto

   Estou com uma filha de 3 meses e como toda pessoa que sempre lutou com seu peso agora estou passando por uma fase difícil de estar acima do peso saudável , porém um pouco limitada a fazer grandes restrições alimentares por conta da amamentação. Achei interessante então compartilhar com vocês algumas informações sobre este período tão peculiar a recheado de mitos: Dieta e vida pós parto. Poderia fazer uso de  remédios para auxiliar na perda de peso ? Exercício físico, pode? Qual intensidade? Como deve ser a dieta?
   A dieta pós parto , acima de tudo, deve ser uma dieta saudável e bem balanceada quanto aos seus nutrientes. Dentre todas as dietas, optei por uma mais rica em proteínas e com menos carboidrato pela evidencias científicas crescentes de que esta dieta promove perda de peso de forma mais acelerada e manutenção de massa magra. Esse tipo de dieta também ajuda a promover saciedade pela digestibilidade e pelo conteúdo de aminoácidos como alanina e leucina. A restrição de calorias deve ser moderada. Uma restrição grande pode causar diminuição da produção de leite materno. E a oferta de calcio deve ser maior que na dieta tradicional.
  Uma redução de 500 kcal por dia já é suficiente para perda de 500 g por semana. Optei por uma dieta de 1500 kcal que seria o minimo seguro. Vou dar um exemplo de como seria:

Café da manha: 1 fatia de pão integral / 2 fatias de ricota/ 1 xic de leite desnatado/ cafe descafeinado
Colação: iogurte natural desnatado + 1 fruta
Almoço: 150g de carne + folhas verdes e vegetais. / 2 colheres de sopa de leguminosas ( feijão ou lentilha ou grão de bico)
Lanche: 2 fatias de pão integral ou subtituto/ 1 fatia de queijo / cha ou café descafeinado.
Jantar: 150 g de carne ou subtituto/ vegetais/ 1 fruta



Atividade física: musculação, pilates, ginastica localizada para fortalecimento muscular e ganho de  massa magra, tomando cuidado para não ser uma atividade muito intensa. Atividade física extenuante inibe a lactação. A atividade aeróbica também é bem vinda, porém recomenda- se que seja leve a moderada e de curta duração, acompanhada de hidratação abundante! Este, na minha opinião e vivencia é o aspecto mais importante para garantir uma boa produção de leite materno após o retorno a atividade física: hidratação abundante! 
  Além de todos os beneficios ao corpo, a atividade física é essencial para autoestima e para relaxar um pouco do " estresse" de cuidar do bebê e das noites mal dormidas. É. Um momento da mulher, só dela! E o prazer e a alegria ajudam no processo de aleitamento, aumentando a produçao e ejeção do leite materno.
  Eu optei por fazer musculação associada a exercicios aeróbicos divididos em 3 blocos de 10 min ( transport/ escada/ octane) somando um total de atividade de 1h-1h20min.

Minha meta é emagrecer pelo menos 2 kg por mes. Devagar e sempre. Primando pela manutenção do aleitamento mas sem esquecer de mim! Vou atualizando vocês....

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Bactérias intestinais e emagrecimento

 Há muito tempo já se sabia que o intestino tem bactérias. Nos últimos anos, entretanto, estudos tem chamando atenção para a importância dessas bactérias e seu papel como regulador do nosso metabolismo. Algumas evidências tem inclusive apontado esses microorganismos como “responsáveis” por doenças como obesidade, doenças cardíacas,  e distúrbios do sistema imunológico (sistema de defesa do organismo), dentre outras.
Nosso intestino  é colonizado por um complexo sistema de bactérias,que auxiliam  nosso sistema imunológico, e portanto cuidar bem do intestino significa também cuidar da imunidade.
   A ingestão de alimentos que tem a função de melhorar ou restaurar nossa  flora intestinal, os chamados pré-bióticos,  se torna de grande importância e por isso devemos inclui-los no nosso dia a dia . Os alimentos que fazem parte desse time, são : iogurtes, coalhadas, farelo de aveia , leite fermentado , Kefir , tomate, cebola, trigo ,chicória, mel, cevada, linhaça, chia, quinoa ,  entre outros . Esses alimentos que são prebióticos, entretanto,  também podem provocar mais flatos (gazes), então cuidado com a dose que ira utilizar porque as vezes será necessário ajustar as dose de ingestão. Existe no mercado algumas fibras que tem essa atividade. Para adequar melhor a  ingestão desses alimentos e saber a quantidade correta, procure um nutricionista e faça sua adequação alimentar.
Dietas restritivas, ou contrário do que se pensa, podem diminuir esses alimentos e ter efeitos indesejados a longo prazo.  Dentre estes efeitos podemos citar inclusive diminuição da imunidade ou alteração deste sistema de defesa do organismo, podendo desencadear ou acentuar doenças autoimunes.
  Alguns estudos vem revelando uma correlação importante entre alteração da flora intestinal e surgimento de doença celíaca que é a doença que leva a intolerância ao glúten . Portanto muito cuidado com as restrições sem critérios e sim por modismo !!!!
 Procure sempre um profissional para esclarecer sobre suas dúvidas!

              Najla Elias Farage (Nutricionista) e Dra Mariana Farage (Endocrinologista)

domingo, 20 de janeiro de 2013

Hormônio da tireoide: consumo para emagrecimento


Hormônio da tireoide tem onda de consumo para emagrecimento

  • Moda de consumo de medicamento em academias foi identificada por Conselho Regional de Educação Física

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/hormonio-da-tireoide-tem-onda-de-consumo-para-emagrecimento-7339685#ixzz2IWTxBbG9
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   O Jornal “O Globo” deste domingo publicou uma reportagem ALERTA sobre o uso, por conta própria ou indicado de forma equivocada, de hormônio tireoidiano com "emagrecedor". Fato esse grave e coloca em risco a VIDA de quem se submete a esse uso. Mas será que isso é mesmo uma novidade? Quais os riscos? Qual o preço que estamos dispostos a pagar por um corpo esculpido?





   O uso de hormônios tireoidianos "manipulados", seja explicitamente em fórmulas para emagrecer os disfarçadamente com codinomes como "tiratricol" ou sob nome de "produtos naturais", tem relatos bem antigos. Inclusive foi de certa forma "aceito" na década de 80 com a justificativa de tentar normalizar o nível do hormônio tireoidiano ativo (T3 total) que diminui nas dietas de baixa caloria. Posteriormente, demonstrou-se que essa diminuição era fisiológica e a reposição não trazia benefício ao emagrecimento, acrescentado, sim, riscos inaceitáveis. O uso, seja do precursor do hormônio tireoidiano (T4) ou do hormônio em sua forma ativa (T3, triiodotironina, tiratricol), para emagrecimento baseia-se no fato que esse hormônios aceleram o metabolismo induzindo um estado de hipertireoidismo e altíssimo gasto calórico. O que os “médico” ou “curiosos da área de emagrecimento” não divulgam (será que eles sabem?) é que esse hipertireoidismo não se restringe ao metabolismo energético mas provoca:
1.    Taquicardia (aumento da frequência dos batimentos cardíacos)  com alto risco de ARRITMIAS como fibrilaçãoo atrial, flutter atrial, podendo provocar infarto no coração e DERRAME CEREBRAL (AVC isquêmico) !!!!
2.    INSUFICIÊNCIA CARDIACA
3.    Consumo muscular, com diminuição de massa muscular e fraqueza muscular
4.    Alterações psiquiátricas como alucinações, esquizofrenia, quadros ansiosos, insônia.
5.    Tremores
6.    Alterações menstruais e de fertilidade

   E o pior é que as pessoas ainda se submetem a esses tratamentos!! Enquanto estava escrevendo este post parei para um almoço de domingo entre amigos médicos. O assunto é claro incluía comentários de “casos clínicos”. Um amiga intensivista, então, relatou um caso recente internado nesta última semana no CTI de um grande hospital do Rio de Janeiro, de uma mulher de meia idade que apresentou insuficiência cardíaca e respiratória ficando em estado MUITO GRAVE , entubada e sob suporte de drogas e aparelhos  após uso de hormônios tireoidianos de “reposição”. Usava doses altas de T4 e T3 (o que é proscrito atualmente!). Tinha níveis de hormônios no sangue 18 vezes maior do que o máximo da normalidade !!!! Ficou uma semana em estado MUITO GRAVE sob esforços intensos de toda equipe para controlar esse hipertireoidismo. Graças a Deus e a equipe de médicos, enfermeiros e farmacêutico maravilhosa, que a assistiam, se recuperou. Vale a pena?
Outro fato importante é o depois... O uso exógeno desse hormônios bloqueia a produção normal pela tireoide. O retorno das funções normais pode demorar de 1 a 12 meses para se recuperar. Durante esse período a pessoa fica em HIPOTIREOIDISMO que é justamente o oposto vivido anteriormente. Um estado igualmente perigoso e que lentifica o metabolismo. Mais uma vez, será que isso vale a pena? Até quando vamos ficar depositando nossas energias procurando “milagres” que por enquanto não existem? Vale a pena confiar nossas vidas a esse “picaretas”. Na dúvida, basta consultar o site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Sociedade Brasileira de Obesidade. Nesta paginas existem avisos, reportagens e informações sempre atualizadas sobre o que é ou não aceitável como tratamento na área de emagrecimento. Vale também conhecer a formação do seu médico, se é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela SBEM. Não confie seu maior bem, sua vida, nas mãos de qualquer um!!




quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Obesidade, diabetes e bactérias intestinais. Qual a relação entre eles?



Após um longo período sem escrever estou de volta, e com força total! Não, eu não deixei  de estudar! Ocorre  que gosto de escrever sobre algo que  desperte a minha curiosidade e a de vocês (imagino...). Gosto de estar inspirada, e nas ultimas semanas não estava muito... Bom, o assunto que escolhi para falar foi um tema que foi enviado por uma professora da USP nesta semana e coincidentemente saiu na Revista Veja também. Qual a influência das bactérias intestinais no nosso peso corporal e na chance de termos DIABETES? Já tinha abordado este assunto num post anterior, mas agora tenho detalhes interessantes.

Quando nascemos nosso intestino não possui nenhuma bactéria. É estéril. A medida que nos alimentamos e temos contato com nossos pais, vamos sendo "colonizados" por bactérias intestinais. Até recentemente, acreditava-se que essas bactérias protegiam o intestino de infecções por outras bactérias nocivas a saúde e que poderiam nos causar doenças sérias. Sim, isso ainda é verdade. O que estamos descobrindo é que essas bactérias além dessa função, protetora, também podem ser responsáveis por OBESIDADE e DIABETES. Isso é incrível ! (na minha humilde opinião) Lembro-me quando ainda na faculdade estudei que podiam ser identificadas bactérias nas placas de ateroesclerose, do coração, sendo levantada a hipótese que a doença coronariana seria desencadeada por infecção bacteriana. Em seguida, a síndrome metabólica (que é a combinação de diabetes, obesidade, principalmente no abdome, aumento de colesterol e triglicerídeos, e pressão alta) foi associada a um estado INFLAMATÓRIO tal e qual o que ocorre durante infecções. Agora, temos evidências de que dependendo da "qualidade das bactérias intestinais" podemos desenvolver DIABETES e OBESIDADE. Todos esses dados juntos são muito interessantes.
OK, mas quais são as evidências dessa hipótese de bactérias intestinais causando obesidade e diabetes? Em 2009 saiu um artigo na revista Science (Science, 29 May 2009, p. 1136) no qual ratos obesos emagreceram, mantendo sua dieta, após terem sido tratados previamente com antibióticos e , posteriormente, terem sua microbiota (bactérias residentes no intestino) substituída pela de outros ratos naturalmente magros. Nesta época, um microbiologista chinês, Zhao Liping, que estava lutando com a obesidade, resolveu testar nele mesmo essa teoria. Tinha engordado 30 kg durante sua pós-graduação e sofria com as consequências da síndrome metabólica. Começou, então, a utilizar uma raiz chinesa (um tubérculo parecido com batata doce) e uma fruta chamada bitter melon. Em comum, ambos os alimentos são conhecidos por suas propriedades PROBIOTICAS. Estimulam o crescimento de algumas bactérias em detrimentos de outras no intestino, mudando o perfil da microbiota intestinal. O resultado foi que o pesquisador EMAGRECEU 20 kg em 2 anos.


 Seus problemas decorrentes do excesso de peso cessaram e ele conseguiu manter esse peso até agora. analisou o perfil de bactérias das próprias fezes e percebeu que elas eram de qualidade e proporção (quantidade) diferentes!! Mas como bom pesquisador, Zhao sabia que "sua experiência pessoal" apenas não seria suficiente para convencer o mundo de sua teoria. Iniciou uma série de estudos sendo um deles com um grupo de 123 indivíduos obesos (com IMC>30) submetidos a uma dieta com prebióticos. Noventa e três pessoas completaram o estudo, tendo emagrecido 7Kg. As toxinas intestinais e as bactérias intestinais eram totalmente diferentes. Animado com esses resultados, está conduzindo uma nova pesquisa, agora em 3 cidades diferentes da China com um total de 1000 pessoas! Num outro estudo, agora realizado na Holanda, outro grupo de pesquisadores estudando pessoas obesas e diabéticas, apenas utilizando alimentos pro bióticos, sem mudar a rotina de alimentação e atividade física, observou uma diminuição de peso e melhora do diabetes.
Bactéria que causam menos "inflamação" seriam mais benignas dando chance para o organismo atingir um novo equilíbrio, mais saudável.

Esses resultados são animadores, mas o principal recado é que ainda temos que aprender muito no quesito diabetes e obesidade!! Para isso, é primordial continuar investindo em pesquisa básica.... mas existe luz no fim do túnel!!!


Esta imagem foi retirada da revista Veja ed 2297- ano 45- n 48


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Hábitos fazem de nós quem somos! Em que diferem os americanos e os franceses?





   Acabei de voltar de férias de França encantada! Díficil não se encantar com um lugar de história rica, comidas gostosas, vinhos maravilhosos, arquitetura rebuscada, que dita moda há muito tempo! Viajar, pra mim, também é observar hábitos e apreender com eles. Fiquei 15 dias na França e desde o princípio chamou-me a atenção de, apesar da famosa culinária e do gosto pelo “comer”, não encontrarmos obesos pelas ruas. Fato é que dificilmente topamos com alguém com sobrepeso. Fiquei então me perguntando o por quê de apesar de reverenciarem a boa culinária, de serem o país do croissant e de iguarias da pâtisserie e de gastarem em média 2 a 3h em pelo menos uma refeição principal do dia eles são magros (bem magros!)? Neste mesmo ano também fiquei 15 dias nos Estados Unidos. A sensação era a oposta: terror com os milhares de obesos e grandes obesos que esbarram o tempo todo com você.  A França é o país mais magro da Europa, sendo apenas 9,4% da população obesa! Assustador quando comparamos com os Estados Unidos com seus 30,6 % de obesos! Mas o que eles fazem para serem magros? Como explicar que num país de culinária mundialmente famosa as pessoas são magras? Pensei muito sobre isso, observei, li. Vamos ver e comparar alguns fatos:

França
Estados Unidos
As pessoas comem devagar e apreciando a comida. O marido francês de uma amiga que está morando em Paris demora 3h jantando! Comendo vagarosamente, degustando, entrada, prato principal e queijo (isso mesmo, queijo ao invés de sobremesa doce). Sem ver televisão, ou dividir a atenção com mais nada.
FAST FOOD já diz tudo = é a cultura do comer RAPIDO, andando, resolvendo os problemas, sem nem se dar conta do que e do quanto se come. Café da manhã geralmente no carro, enquanto se dirige para o trabalho, almoço em pé na rua ou na mesa de trabalho, lendo, vendo um flme, sem perceber a comida.
Comer até se saciar e nada mais. Em geral os franceses comem até se saciar, com “elegância” e não “por comer”. Quando satisfeitos, saem da mesa.

Comer com os “olhos”, tudo tamanho GG. Comer muito! "Você aceitaria o tamanho maior dessa promoção por apenas 50 centavos a mais?"
E os croissants, “pain au chocolat” (folheados com recheio de chocolate), docinhos presentes em cada esquina? Perguntamos como não engordam comendo isso. Resposta: “Não comemos isso todo dia! Normalmente, no café da manhã, comemos uma torrada integral ou uma fruta.”

“Oreos”, “cookies”, sanduiches, pizza e muitos produtos industrializados, todos fazem parte SIM da refeição básica da maior parte dos americanos. Chocante para mim ver no programa do Jamie Oliver (cozinheiro inglês que percorreu as escolas fundamentais dos EUA) que muitas crianças americanas não reconhecem frutas e legumes por NUNCA TEREM VISTO esse em sua forma “natural”, pois seus pais não consomem esses alimentos ou só compram produtos congelados ou pré-prontos.
Refrigerante? Não vemos quase ninguém bebendo. Quando víamos, logo constatávamos serem AMERICANOS. Nas refeições: vinho e/ou agua. Nos intervalos? Água. Santa água
Refrigerante substituindo água. Vendido aos “baldes” de 750 mL, 1000 mL ou mais. O refrigerante tem sido apontado como uma das principais causas da obesidade e da liderança dos EUA com o pais mais gordo do mundo!
Por todos os cantos tinha alguém correndo ou andando de bicicleta. Muitas bicicletas com pessoas de todas as idades em cima delas. Testei o Velib em Paris: mais de 300 estações espalhadas por toda cidade, sendo os primeiros 30 min de graça. Fácil e pratico, sem necessidade de cadastro antecipado.
Todos andando de carro. Carros, muito carros, automáticos, luxuosos... andar pra que?

    A França é o país mais magro da Europa, porém existe um alerta de que apesar disso o percentual da população com sobrepeso e obesidade tem crescido, acompanhando a tendência dos outros países europeus. Ainda assim, a França continua magra, linda, saudável e colorida. Quero seguir esse caminho e ser cada dia um pouco mais francesa. Cultivar o "comer com elengância, degustando, apenas para ficar satisfeita", correr e andar de bicicleta para me locomover, beberpreferencialmente água nas refeições, e um vinho tinto de vez em quando ( Até porque faz bem para o coração, em quantidade moderada).
Até a próxima!