Muito se fala em vida saudável nos dias de hoje, mas poucos sabem do que se trata realmente ter uma vida assim. Praticar, então, essa tal vida saudável, fica mais difícil ainda!
Há muita informação no mídia, internet, jornais, entretanto muitas são as dúvidas...
Este espaço foi criado para divulgação de informações sobre tópicos relacionados a saúde, atividade física, dietas e assuntos afins, com um foco especial na área da Endocrinologia, na qual atuo.
Aproveitem!!!
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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Chia: essa sementinha está na moda. Mito ou verdade?


Há uns 6 meses tenho escutado falar nesta sementinha chamada CHIA. Escutei primeiramente de uma Cardiologista amiga minha, que está usando juntamente com seus pais. Logo em seguida, dois pacientes se consultaram comigo, ambos mantendo os mesmos remédios, mas com o colesterol muito melhor. Minha madrinha, recentemente comentou que está usando a CHIA e revela que fica mais tempo satisfeita após o uso da Chia no café da manhã. Resolvi então, curiosa que sou, estudar (sugestão: investigar)um pouquinho sobre essa sementinha da moda.
A semente da CHIA é rica em ácidos graxos dentre os quais o alfa-linoleico (ômega 3). Quando hidratada (por ser misturada em iogurte, sucos ou frutas, por exemplo) assume uma consistência gelatinosa que ajudaria a “saciar” o apetite, diminuindo a fome, e lentificar a absorção de açúcares. Além disso,  teria propriedade de diminuir o colesterol ruim e aumentar o bom. Tem fibras que ajudariam no trânsito intestinal, contribuindo para regularização do intestino. O potencial dessa sementinha é enorme.
Buscando artigos científicos sobre a chia pude constatar que a grande maioria dos artigos que veem grandes benefícios são feitos em ratos ou camundongos. Só achei um único artigo em humanos! Neste artigo, os pesquisadores trataram homens e mulheres obesas, entre 20 e 70 anos, com 25g de semente de CHIA ou placebo, administrados 2x ao dia (total de 50g de CHIA por dia). Avaliaram parâmetros do metabolismo, peso, pressão arterial, glicose, gorduras no sangue (colesterol e triglicerídeos), substâncias inflamatórias dosáveis no sangue (que predispõe ao diabetes, câncer e doença cardíaca, dentre outras), antes e após 12 semanas de estudo. Ao final do estudo concluíram que não houve diferença entre os grupos que usaram CHIA ou placebo. É claro que é apenas um único estudo, com apenas 76 pessoas (geralmente são necessárias mais pessoas para uma conclusão definitiva). Talvez a dose utilizada da CHIA tenha sido pouca, insuficiente para mostrar sua “potência benéfica”. Enfim, muito ainda há que se aprender. Fato certo é que muitos sites e lojas de produtos alimentícios e remédios fazem propaganda SEM embasamento científico. Chegam a conclusões precipitadas e propagandeiam como se fosse uma verdade absoluta.
O que eu acho? Pessoalmente, usaria a semente. Tem grande potencial teórico para funcionar. Não prescreveria, pois não posso me comprometer com meus pacientes indicando algo sem evidência científica. Trabalho com o que há de mais correto em relação a grau de evidência. Mesmo assim, vira e mexe somos surpreendidos por novos efeitos colaterais de antigas drogas! A vida é um bem muito valioso para “brincarmos” com ela. Muito melhor é VIVÊ-LA!! Também não aconselho ninguém a “suspender os remédios do colesterol” apenas para usar CHIA. Muito temos que aprender sobre essa sementinha ainda!

domingo, 8 de abril de 2012

Chocolate: Vilão ou mocinho?














Amo chocolate! Desde criança a Páscoa sempre foi especial para mim. Dentro da minha religião é época de repensar a vida, tentar ser uma nova pessoa, renovar as esperanças, renascer! Além disso, sempre aguardei ansiosamente o Domingo de Páscoa por causa dos CHOCOLATES. Sempre amei chocolate!!! Mas será que o chocolate que tanto amo é um pecado para minha dieta? Renove suas esperanças, em comer chocolate sem tanta culpa, nas linhas a seguir...

O chocolate é feito a partir da pasta de cacau. O cacau, quando os primeiros colonizadores espanhóis chegaram à América, já era cultivado pelos índios, principalmente os Astecas, no México, e os Maias, na América Central. Eles consideravam as sementes de cacau tão valiosas que as usavam como moeda e o cacaueiro era considerado uma planta sagrada. O primeiro nome dado à árvore do cacau foi Amygdalae pecuniariae, que quer dizer “amêndoa-dinheiro”, por seu significado como moeda de intercâmbio. No entanto, foi o sueco Carl von Linne quem realizou a primeira classificação botânica, denominando-a Theobroma cacao, que significa “cacau, alimento dos deuses” ( e eu concordo em gênero, número e grau!).

O cacau é rico em flavonoides que possuem inúmeras ações importantes para nossa saúde. Alguns estudos já mostraram que tem propriedades anti-inflamatórias (atuando de forma a melhorar doenças que tem aumento da inflamação como doenças autoimunes, a própria doença coronariana, e diabetes), diminuindo risco de doença cardiovascular, diminuindo o colesterol ruim (LDL), diminuindo triglicerídeos (gordura no sangue). Em um estudo realizado em 2004, o consumo de cacau e de chocolate aumentou a concentração de colesterol HDL (colesterol “bom”), o que está relacionado com a diminuição do risco de doenças cardiovasculares. Em outro estudo, foi demonstrado que o LDL (colesterol “ruim”) não sofre oxidação (se tornando ainda mais agressivo e maléfico) dentro do organismo por causa do efeito antioxidante de compostos presentes nos alimentos, como os flavonóis do chocolate, a vitamina E e C.

Os flavonóides encontrados no cacau agem também na diminuição da pressão arterial, interferindo na melhora da função endotelial dos vasos sanguíneos (células que revestem os vasos sanguíneos por dentro mantendo sua integridade).

Apesar de ser um alimento de alto valor energético (cerca de 523,8 Kcal em 100g), o chocolate quando consumido moderadamente pode inclusive ajudar na perda de peso. Alguns estudos sugerem que o consumo moderado de chocolate com >50% de cacau na sua composição, como sobremesa, 2x na semana, está associado a menor índice de massa corporal, ou seja, a indivíduos mais magros, quando comparadas as dietas de pessoas com mesmo numero de calorias totais no final de um dia.

Já é sabido que em pessoas com compulsão por comida, quanto mais se restringe a dieta, maior a chance de se ter um episódio de compulsão alimentar (ingestão descontrolada de comida, geralmente de alto valor calórico). Após esses episódios de compulsão, a pessoa se sente extremamente culpada e triste. Muitas vezes, esse é o FIM de um programa de emagrecimento e mudança do estilo de vida.

Mas todos os chocolates são iguais?

Não. O chocolate branco não tem cacau, logo, não tem as propriedades boas dos flavonoides. O chocolates ao leite tem menos flavonóides que o meio amargo e o amargo, além de ter maior conteúdo de leite e açúcar (sendo mais calórico)

O chocolate amargo (contendo no mínimo 50% de massa de cacau) seria o mais benéfico para o coração. Os melhores resultados foram obtido com chocolates contendo mais de 70% de cacau. Estes chocolates também são ricos em magnésio, em concentrações de 300mg/100g, suprindo a quantidade diária deste nutriente, que por sua vez tem ação antagônica ao cálcio, favorecendo o controle da pressão arterial.

A tabela 1 mostra de forma resumida os diversos estudos que tentaram avaliar os benefícios do chocolate, sendo a maioria realizados com chocolate amargo ou cacau em pó.

(RODRIGUES, UTFM, REVISÃO SISTEMÁTICA SOBRE A AÇÃO DO CHOCOLATE, CHÁ, VINHO TINTO E CAFÉ NA SAÚDE CARDIOVASCULAR, Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, São Paulo v. 1, n. 2, p. 36-46, Mar/Abr, 2007





Acredito, mais do que nunca, que uma dieta de emagrecimento e manutenção do peso deve ser EQUILIBRADA, sem “maluquices” ou radicalismos. Ser saudável inclui ser FELIZ! J O chocolate pode e deve fazer parte de uma dieta equilibrada, sendo incluído em média 2x por semana como sobremesa, feliz e sem culpa, numa dieta saudável. Isso, além de diminuir o risco de doenças cardiovasculares, diminui a chance de se ter um episódio de compulsão alimentar.

Feliz Pascoa a todos!!!!