Muito se fala em vida saudável nos dias de hoje, mas poucos sabem do que se trata realmente ter uma vida assim. Praticar, então, essa tal vida saudável, fica mais difícil ainda!
Há muita informação no mídia, internet, jornais, entretanto muitas são as dúvidas...
Este espaço foi criado para divulgação de informações sobre tópicos relacionados a saúde, atividade física, dietas e assuntos afins, com um foco especial na área da Endocrinologia, na qual atuo.
Aproveitem!!!
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domingo, 18 de dezembro de 2016

Cirurgia bariátrica: pra quem e por quê?


Este ano, um nova resolução do Conselho Federal de Medicina ampliou as indicações de Cirurgia Bariátrica, incluindo uma série de novas indicações. Esse foi um marco muito importante pois tornou esse procedimento acessível a uma parcela da população que tem , sem dúvida benefício com a perda e MANUTENÇÃO DE PESO, que é facilitada nesse procedimento, mas que antes, ainda não se enquadrava nos critérios.



Mas, afinal, por que fazer a cirurgia bariátrica?

A cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz para aquelas pessoas com obesidade grave (Índice de massa corporal [IMC], que é a relação entre peso e altura, maior que 40) ou com IMC entre 35 e 40, mas com doenças graves associadas e provocadas pela obesidade. É o tratamento indicado pois leva a grande melhora ou mesmo resolução da obesidade e das doenças associadas, facilitando a manutenção ao longo dos anos subsequentes. Só para exemplificar, nos casos de obesidade grave, com IMC maior que 40, apenas em 30% dos casos o indivíduo consegue perder peso chegando na faixa de peso adequada para sua altura (IMC menor que 25)

Quem tem indicação/ benefício?

Pessoas com IMC maior que 40 e que tenham feito tratamento clínico por pelo menos 2 anos, com equipe multidisciplinar (médico, nutricionista, psicólogo, profissional de atividade física) sem sucesso. Estão inclusos agora aqueles indivíduos com IMC entre 35 e 40 (obesidade grau 2) mas com doenças associadas a obesidade como:

1.    pulmonares: asma, apneia do sono, doença restritiva pulmonar
2.    metabólicas: diabetes, dislipidemia, 
3.   osteoarticulares: osteoartrose, hernia de disco
4.   doenças cardiovasculares: coronariopatia, infarto agudo do miocárdio  cardiopatia dilatada, hipertensão pulmonar, fibrilação atrial, AVC (derrame)
5.   infertilidade feminina, disfunção erétil, síndrome dos ovários policísticos, 
6.   circulatórias: veias varicosas, insuficiência venosa
7.    neurologicas: hipertensão intracraniana idiopática
8.   Estigmatizção social, depressão.

Estou “curada” da obesidade após a cirurgia? Posso comer o que quiser após a cirurgia e mesmo assim vou emagrecer e não mais engordar?

A cirurgia deve ser vista como o início de uma "nova vida" na qual vai ser mais fácil seguir uma dieta saudável, mas em que o controle da qualidade e quantidade precisam ser feitos de forma precisa e contínua para assegurar que a perda de peso seja alcançada sem desnutrição. No primeiro ano, mesmo com pequenos deslizes a perda de peso ocorre, porém após esse período pode ocorrer, e geralmente  ocorre, um reganho de peso, que normalmente se limita a 10% do peso perdido (por exemplo, quem perdeu 30 kg, tem 3kg de reganho). Aquelas pessoas, entretanto, que não seguem corretamente a dieta acabam tendo um reganho maior ou contínuo, podendo voltar ao peso inicial.
Não existe mágica!! A cirurgia é apenas um dos caminhos para o sucesso na perda peso. O  protagonista principal deve ser o INDIVÍDUO.

Não posso mais comer após a cirurgia? Isso vai me restringir pra sempre?

A cirurgia, seja em redução do estomago + Y Roux (com bypass, que é a derivação intestinal) ou apenas a redução do estômago (gastrectomia vertical) causam uma restrição grande inicial, que com o tempo vai permitindo um acomodação maior de volume, com menos restrição. Ao longo do tempo, a pessoa vai conseguindo comer mais, porém não é interessante "forçar" comer um volume cada vez maior porque o sucesso cirúrgico depende de uma certa restrição que permite comer pouco e saciar-se com facilidade. O importante é a mudança de paradigmas no qual qualidade é mais importante que quantidade. 

Preciso continuar indo ao médico após a cirurgia? Quando estarei de ALTA?

Não existe "ALTA" após a cirurgia. O acompanhamento vai se tornando mais espaçado, sendo inicialmente a cada 3/3 ou 4/4 meses e posteriormente de 6/6 meses,  mas deve existir regularmente, de forma preventiva e pró ativa, para evitar complicações e continuar promovendo saúde!

domingo, 13 de novembro de 2016

Diabetes: Um mal silencioso. “Não deixe o invisível enganar você”


    Voltei a escrever logo hoje, incentivada por essa data tão importante: O Dia Mundial do Diabetes. Parece incrível, mas ainda hoje, com tanta informação e com tantos veículos de informação, pessoas ainda desconhecem essa doença tão devastadora e, infelizmente, comum. A idéia deste blog é justamente fornecer informações confiáveis, de modo a promover um vida mais saudável. Então, vamos entender melhor sobre essa doença tão negligenciada.

   Pra facilitar, podemos dizer que Diabetes é  uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente aquela que produz. A insulina é um dos hormônios que controla a quantidade de açúcar (glicose) no sangue. O corpo precisa da insulina para transformar o açúcar - obtidos por meio da alimentação -  em energia. Com o nível de glicose alto (hiperglicemia), os órgãos, vasos sanguíneos e nervos podem sofrer danos.

    Atualmente, o diabetes afeta cerca de 246 milhões de pessoas em todo o mundo. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes, até 2025 esse número deve aumentar para 380 milhões. No Brasil, mais de 13 milhões de pessoas vivem com a doença, o que representa 6,9% da população. E esse número está crescendo. Em alguns casos, o diagnóstico demora, o que favorece o aparecimento de complicações.

   Este ano se destaca pelo grande número de novidades tanto no tratamento como na monitorização do diabetes. O surgimento de novas drogas, em especial os da classe das GLIFOZINAS e os novos ANÁLOGOS DO GLP-1 (hormônio intestinal naturalmente presente no intestino terminal), lançados este ano no BRASIL, trazem novos horizontes, não só no tratamento da diabetes. Este medicamentos também tem efeitos muito interessantes no peso, promovendo emagrecimento e efeitos benéficos na função cardíaca e prevenção de eventos cardiovasculares (incluindo diminuição de morte por evento cardíaco). E na prática clínica, a resposta tem sido m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a. Destaco também o lançamento do análogo GLP1 de administração semanal, que torna tudo mais prático, já que estes remédios até agora, eram de aplicação injetável subcutânea, diária.

       Na área de monitorização, o lançamento de um aparelho que consegue medir a glicose sem picadas, apenas com a inserção de um sensor trocado a cada 15 dias, que é escaneado quantas for necessário torna a vida do usuário de insulina, especialmente os diabéticos do tipo 1, muito mais prática e segura. Muito animador. A desvantagem ainda fica no preço, já que as fitas de glicemia capilar tem sido fornecidas pelo SUS e este sensor tem um custo mensal que gira em torno de 450 reais, deixando grande parte da população de fora desse benefício.



   Todos os anos, governos do mundo inteiro investem em campanhas para chamar atenção da população para a importância do combate ao diabetes. Mundialmente, existe uma campanha de conscientização chamada "Unidos pelo Diabetes". Com a cor azul como símbolo, mais de 800 monumentos e prédios ao redor do mundo são iluminados de azul no dia 14 de novembro. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Diabetes lança, este ano, a campanha educativa nas redes sociais: “Não deixe o invisível enganar você”.

 Confira mais informações sobre o diabetes:

O diabetes tipo 1 é autoimune, ou seja, por algum motivo ainda desconhecido, o sistema de defesa da pessoa destrói o pâncreas -  a fábrica de insulina -, pois encara o órgão como um ‘inimigo’. Os fatores de risco para esse tipo de diabetes são o histórico familiar de doenças autoimunes (lúpus, doença de tireoide, artrite reumatoide), algumas infecções virais e o estresse.


            O diabetes tipo 2 ocorre quando a insulina não consegue exercer adequadamente o seu papel no organismo. Esse tipo da doença é o que mais cresce no mundo e está associado, principalmente, a obesidade e ao sedentarismo, mas também tendo como fator importante a genética familiar. Outros fatores de risco envolvem a alimentação rica em gordura saturada e açúcar, quadros passados de diabetes gestacional e uso de algumas medicações, como corticoides, antipsicóticos, GH, entre outros.
            O diabetes descontrolado pode causar uma série de complicações ao organismo. No sistema circulatório, ele pode levar ao infarto, causar falta de sangue nas pernas (doença vascular) e acidente vascular cerebral (AVC). Já no sistema nervoso, o diabetes pode gerar a destruição de fibras nervosas responsáveis pela sensibilidade, a sensação de dor constante e a dormências nas mãos e pés. Para o sistema urinário, a doença pode acarretar insuficiência renal. Além disso, o diabetes pode causar a sensação de ‘estômago inchado’, má digestão, diarreia, dificuldade de controlar as evacuações, disfunção erétil e cegueira.

            O tratamento consiste, principalmente, na adoção de hábitos de vida saudáveis, com a prática regular de atividades físicas, com uma alimentação baseada em uma dieta pobre em açúcar e carboidratos e com o uso de alguns medicamentos. Ao contrário do que se pensa, o diabetes tipo 2, quando recém diagnosticado, pode ser curado se a pessoa logo adquirir novos hábitos de vida e fazer uso correto da medicação. O diabético tipo 1, apesar de ter uma condição ‘incurável’, pode e deve levar uma vida normal, apenas tendo um pouco mais de disciplina em manter uma alimentação saudável, monitorando os valores da glicose e aplicando insulina de acordo com sua alimentação. Diversas personalidades e atletas tem diabetes tipo 1 sem que ninguém nem perceba algo diferente.

            A principal forma de prevenção é ter uma vida saudável, moderando o estresse, evitando ganho excessivo peso, praticando atividades físicas e mantendo uma alimentação saudável, rica em verduras, legumes, carnes magras e gorduras insaturadas.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

10 Passos para ALIMENTAÇÃO saudável da criança.

Hoje no Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil resolvi escrever sobre 10 passos para uma alimentação saudável na criança. Vamos levantar essa bandeira com seriedade e não condenar nossos filhos aos transtornos da obesidade!

1- Não ofereça açúcar.
Seu filho não precisa de adição de açúcar em sucos, leite, nem em outras bebidas. Não tendo contato com o açúcar ele simplesmente não sentirá falta do mesmo. Assim, terá oportunidade de sentir o paladar verdadeiro dos alimentos e das frutas, podendo apreciar os sabores sem a interferência do açúcar. Tudo é hábito. a adição de açúcar aumenta o valor calórico sem nutrir de fato.

2- Crianças com menos de 2 anos não devem nem precisam comer doces nem chocolate.
Esses alimentos não acrescentam nutrientes e ainda estão associados a formação de placa bacteriana que afetará a saúde bucal, numa idade que a escovação dos dentes é difícil e nem sempre tão eficaz.

3- Não acrescente sal a comida nem às papinhas.
Mais uma vez, você não sente falta do que não conhece! O sal sem dúvida pode tornar a comida mais palatável porém aumenta em muito o risco de hipertensão arterial e cálculo renal. Trata-se de um hábito. As crianças, em especial os bebes tem uma necessidade muito baixa de sal, que se for acrescido na comida com certeza excederá a recomendação diária.


4- Deixe seu filho ter contato com a comida da forma mais natural possível. Evite liquidificar ou bater os alimentos.

Os bebes devem ter a experiência de tocar na comida, sentir, cheirar e se servir. Mesmo que não seja em todas as refeições, deixe ele experimentar a comida e tocar. Explorando a comida ele terá mais gosto em comer e aumentará naturalmente o repertório de sabores e gostos. A variedade de texturas também é muito importante.

5- Ofereça os alimentos em separado e de modo variado.
Variedade de cores significa variedade de nutrientes. O prato saudável deve ter pelo menos CINCO cores diferentes.

6- Melhor que suco de fruta é a fruta inteira.
Estimule seu filho (a) a comer frutas e não somente a tomar o suco de frutas. As frutas consumidas "in natura" são ricas em fibras e vitaminas que se perdem no processo de confecção do suco. Sucos de fruta são muitas vezes muito calóricos e ricos em carboidratos simples (açúcar natural da fruta mas que rapidamente são absorvidos). Podem até ser consumidos de vez em quando mas não rotineiramente. Sempre tenho em casa água flavorizada ou chá de ervas , como hortelã, cidreira, capim limão, que podem ser consumidos frios substituindo os sucos.

7- Dê o exemplo
Exemplos são mais importantes do que apenas palavras. Exemplos moldam de forma natural e ratificam os preceitos. Minha mãe já dizia: "Os filhos são o reflexo dos pais".

8- Iogurte natural no lugar dos aromatizados e açucarados.
Minha filhas de 2 anos e meio e 11 meses adoram e estão super acostumadas a comer iogurte natural puro ou com granola e frutas. Elas adoram!!! Nem sabem o gosto dos outros tipo de iogurte. O iogurte é rico em bactérias boas para saúde do intestino e ajudam a prevenir obesidade e doenças metabólicas.

9- Não acostume seu filho a comer vendo TV ou outra distração
quando comemos nos distraímos nem nos damos conta do que e quanto ingerimos. Acabamos comendo demais. É claro que de vez em quando não há problema, mas não pode ser uma regra!

10- A criança/ bebe não precisa comer ATÉ O FINAL. Basta estar satisfeito!
Bebês e crianças pequenas comem até se satisfazer. Não tem "olho grande". Não insita para que seu filho coma até o final, programando ele para se acostumar a comer além da satisfação. isso será um problema no futuro. Respeite sua satisfação!



quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Voltando a forma pós parto: parte 2

   Dando continuidade ao post anterior retorno, após 3 semanas do início do meu programa de "recuperação pós parto", já se foram 2 kg. Neste período não foram pequenas as dificuldades. Vou falar neste post das armadilhas da dieta no período pós parto. 


"Armadilhas da dieta no pós parto"

1. Noites mal dormidas.
Estes primeiros meses são difíceis para todos. Com o passar dos meses, os bebês vão aprendendo a dormir melhor, mas algumas crianças em especial ainda podem acordam de 2/2 h ou despertar no meio da noite e lá se foi o sono. Dias e dias de noites mal dormidas rendem um cansaço sem igual! E isso pode minar todo e qualquer desejo de seguir uma dieta ou um programa de atividade física. 
Descansar durante o dia enquanto o bebe dorme ajuda. Pedir auxílio e delegar os cuidados com o bebê ajuda muito nesse processo. Combine com uma avó, tia ou amiga e pelo menos 2 x na semana tire um tempo pra você fazer uma atividade física ou dormir sem preocupação. Deixe o pai se envolver neste processo! Tirando a amamentação ele pode e deve se envolver em todas as outras tarefas.

2. Visitas que trazem doces e chocolates.
Muitas visitas querem agradar e atenuar o cansaço e trazem doces como um mimo. Avós talentosas também presenteiam a "mamãe" cansada com bolinhos regulares. Seja honesta com as visitas e com você mesmo e sempre que possível avise que está quer voltar logo a forma. Se for inevitável, divida os "agrados" com vizinhos, porteiros e quem mais estiver por perto.
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3. Depressão pós parto, "Blues " puerperal.
Algumas mulheres podem experienciar um período de tristeza e até depressão nos primeiros meses pós parto. Não adianta afogar as mágoas e compensar na comida. Procure ajuda especializada, converse com seu obstetra e se necessário consulte um psiquiatra. 

4. Confinamento 
Até que todas as primeiras doses de vacinas sejam aplicadas, muito pediatras recomendam que os bebês permaneçam em casa e isso pode significar 3 meses de confinamento ou passeios restritos. ficar esse tempo em casa afogada na rotina de cuidados sem fim do bebê podem levar qualquer um a loucura. Ou pior, a comer. Não seja radical. Negocie passeios a lugares abertos, restaurantes sem muita concentração de pessoas, lugares públicos fora dos horários de pico de movimento. Saia e espaireça. Fará muito bem para cabeça e para sua dieta!

5. Fome desvairada
Amamentar, principalmente nos 2 primeiros meses causa uma fome danada! Durante a noite, isso ainda pode ser pior. Programe lanches saudáveis e dentro do seu programa alimentar. A dieta mais rica em proteínas ajuda e muito na saciedade, além de garantir um leite rico em proteínas essenciais para um bom desenvolvimento do bebê. Invista em fibras e suplementos alimentares que promovam saciedade. Quais suplementos? Estes serão abordados no meu próximo post desta série que vai falar sobre medicação para obesidade e suplementos nesta fase. Posso usar com segurança? Quais?

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Mudar é preciso! Emagrecimento saudável = vida saudável = mudança duradoura de hábitos




Nada é impossível! Por mais difícil que pareça, tudo é possível quando você entende que para atingir um objetivo é necessário uma mudança de atitude. O processo de emagrecimento não é diferente. O primeiro passo do sucesso duradouro é a conscientização de que “do jeito que está, não dá para ficar” e de que o peso e a forma física atual são “reflexos dos meus hábitos atuais”.  Mas mudar não é fácil! As mudanças reais e duradouras são aquelas que vão acontecendo aos poucos e virando rotina.
Naqueles casos em que a perda de peso necessária é muito grande, muitas vezes o tratamento com dieta, atividades física e medicações pode não ser suficiente para atingir perda e principalmente manutenção do peso, sendo indicada a cirurgia bariátrica (com redução do estômago associada ou não a mudança do transito intestinal). Mesmo neste casos, é essencial tentar primeiro o tratamento clinico (dieta + atividade física+ medicações) pois, ainda assim, podemos ter sucesso e no caso do sucesso “parcial” (sem perda de todo peso necessário) a complementação com a cirurgia terá muito mais chances de sucesso com menos complicações.
Não existe fórmula mágica. Existe sim conscientizaçãoo do problema, estrategia e apoio multidiscicplinar com médico endocrinologista coordenando o cuidado que envolve nutricionista, psicólogo, cirurgião, cardiologista, pneumologista e toda outra especialidade envolvida no cuidado as complicações da obesidade.

O vídeo em anexo mostra um caso de sucesso no tratamento clínico realizado em nossa clínica e ilustra muito bem o que é MUDAR HABITOS DE FORMA SAUDAVEL! (Video institucional da Petrobras reproduzido com autorização de imagem)
Parabens GC pelo seu sucesso!!!!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Obesidade, diabetes e bactérias intestinais. Qual a relação entre eles?



Após um longo período sem escrever estou de volta, e com força total! Não, eu não deixei  de estudar! Ocorre  que gosto de escrever sobre algo que  desperte a minha curiosidade e a de vocês (imagino...). Gosto de estar inspirada, e nas ultimas semanas não estava muito... Bom, o assunto que escolhi para falar foi um tema que foi enviado por uma professora da USP nesta semana e coincidentemente saiu na Revista Veja também. Qual a influência das bactérias intestinais no nosso peso corporal e na chance de termos DIABETES? Já tinha abordado este assunto num post anterior, mas agora tenho detalhes interessantes.

Quando nascemos nosso intestino não possui nenhuma bactéria. É estéril. A medida que nos alimentamos e temos contato com nossos pais, vamos sendo "colonizados" por bactérias intestinais. Até recentemente, acreditava-se que essas bactérias protegiam o intestino de infecções por outras bactérias nocivas a saúde e que poderiam nos causar doenças sérias. Sim, isso ainda é verdade. O que estamos descobrindo é que essas bactérias além dessa função, protetora, também podem ser responsáveis por OBESIDADE e DIABETES. Isso é incrível ! (na minha humilde opinião) Lembro-me quando ainda na faculdade estudei que podiam ser identificadas bactérias nas placas de ateroesclerose, do coração, sendo levantada a hipótese que a doença coronariana seria desencadeada por infecção bacteriana. Em seguida, a síndrome metabólica (que é a combinação de diabetes, obesidade, principalmente no abdome, aumento de colesterol e triglicerídeos, e pressão alta) foi associada a um estado INFLAMATÓRIO tal e qual o que ocorre durante infecções. Agora, temos evidências de que dependendo da "qualidade das bactérias intestinais" podemos desenvolver DIABETES e OBESIDADE. Todos esses dados juntos são muito interessantes.
OK, mas quais são as evidências dessa hipótese de bactérias intestinais causando obesidade e diabetes? Em 2009 saiu um artigo na revista Science (Science, 29 May 2009, p. 1136) no qual ratos obesos emagreceram, mantendo sua dieta, após terem sido tratados previamente com antibióticos e , posteriormente, terem sua microbiota (bactérias residentes no intestino) substituída pela de outros ratos naturalmente magros. Nesta época, um microbiologista chinês, Zhao Liping, que estava lutando com a obesidade, resolveu testar nele mesmo essa teoria. Tinha engordado 30 kg durante sua pós-graduação e sofria com as consequências da síndrome metabólica. Começou, então, a utilizar uma raiz chinesa (um tubérculo parecido com batata doce) e uma fruta chamada bitter melon. Em comum, ambos os alimentos são conhecidos por suas propriedades PROBIOTICAS. Estimulam o crescimento de algumas bactérias em detrimentos de outras no intestino, mudando o perfil da microbiota intestinal. O resultado foi que o pesquisador EMAGRECEU 20 kg em 2 anos.


 Seus problemas decorrentes do excesso de peso cessaram e ele conseguiu manter esse peso até agora. analisou o perfil de bactérias das próprias fezes e percebeu que elas eram de qualidade e proporção (quantidade) diferentes!! Mas como bom pesquisador, Zhao sabia que "sua experiência pessoal" apenas não seria suficiente para convencer o mundo de sua teoria. Iniciou uma série de estudos sendo um deles com um grupo de 123 indivíduos obesos (com IMC>30) submetidos a uma dieta com prebióticos. Noventa e três pessoas completaram o estudo, tendo emagrecido 7Kg. As toxinas intestinais e as bactérias intestinais eram totalmente diferentes. Animado com esses resultados, está conduzindo uma nova pesquisa, agora em 3 cidades diferentes da China com um total de 1000 pessoas! Num outro estudo, agora realizado na Holanda, outro grupo de pesquisadores estudando pessoas obesas e diabéticas, apenas utilizando alimentos pro bióticos, sem mudar a rotina de alimentação e atividade física, observou uma diminuição de peso e melhora do diabetes.
Bactéria que causam menos "inflamação" seriam mais benignas dando chance para o organismo atingir um novo equilíbrio, mais saudável.

Esses resultados são animadores, mas o principal recado é que ainda temos que aprender muito no quesito diabetes e obesidade!! Para isso, é primordial continuar investindo em pesquisa básica.... mas existe luz no fim do túnel!!!


Esta imagem foi retirada da revista Veja ed 2297- ano 45- n 48


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Hábitos fazem de nós quem somos! Em que diferem os americanos e os franceses?





   Acabei de voltar de férias de França encantada! Díficil não se encantar com um lugar de história rica, comidas gostosas, vinhos maravilhosos, arquitetura rebuscada, que dita moda há muito tempo! Viajar, pra mim, também é observar hábitos e apreender com eles. Fiquei 15 dias na França e desde o princípio chamou-me a atenção de, apesar da famosa culinária e do gosto pelo “comer”, não encontrarmos obesos pelas ruas. Fato é que dificilmente topamos com alguém com sobrepeso. Fiquei então me perguntando o por quê de apesar de reverenciarem a boa culinária, de serem o país do croissant e de iguarias da pâtisserie e de gastarem em média 2 a 3h em pelo menos uma refeição principal do dia eles são magros (bem magros!)? Neste mesmo ano também fiquei 15 dias nos Estados Unidos. A sensação era a oposta: terror com os milhares de obesos e grandes obesos que esbarram o tempo todo com você.  A França é o país mais magro da Europa, sendo apenas 9,4% da população obesa! Assustador quando comparamos com os Estados Unidos com seus 30,6 % de obesos! Mas o que eles fazem para serem magros? Como explicar que num país de culinária mundialmente famosa as pessoas são magras? Pensei muito sobre isso, observei, li. Vamos ver e comparar alguns fatos:

França
Estados Unidos
As pessoas comem devagar e apreciando a comida. O marido francês de uma amiga que está morando em Paris demora 3h jantando! Comendo vagarosamente, degustando, entrada, prato principal e queijo (isso mesmo, queijo ao invés de sobremesa doce). Sem ver televisão, ou dividir a atenção com mais nada.
FAST FOOD já diz tudo = é a cultura do comer RAPIDO, andando, resolvendo os problemas, sem nem se dar conta do que e do quanto se come. Café da manhã geralmente no carro, enquanto se dirige para o trabalho, almoço em pé na rua ou na mesa de trabalho, lendo, vendo um flme, sem perceber a comida.
Comer até se saciar e nada mais. Em geral os franceses comem até se saciar, com “elegância” e não “por comer”. Quando satisfeitos, saem da mesa.

Comer com os “olhos”, tudo tamanho GG. Comer muito! "Você aceitaria o tamanho maior dessa promoção por apenas 50 centavos a mais?"
E os croissants, “pain au chocolat” (folheados com recheio de chocolate), docinhos presentes em cada esquina? Perguntamos como não engordam comendo isso. Resposta: “Não comemos isso todo dia! Normalmente, no café da manhã, comemos uma torrada integral ou uma fruta.”

“Oreos”, “cookies”, sanduiches, pizza e muitos produtos industrializados, todos fazem parte SIM da refeição básica da maior parte dos americanos. Chocante para mim ver no programa do Jamie Oliver (cozinheiro inglês que percorreu as escolas fundamentais dos EUA) que muitas crianças americanas não reconhecem frutas e legumes por NUNCA TEREM VISTO esse em sua forma “natural”, pois seus pais não consomem esses alimentos ou só compram produtos congelados ou pré-prontos.
Refrigerante? Não vemos quase ninguém bebendo. Quando víamos, logo constatávamos serem AMERICANOS. Nas refeições: vinho e/ou agua. Nos intervalos? Água. Santa água
Refrigerante substituindo água. Vendido aos “baldes” de 750 mL, 1000 mL ou mais. O refrigerante tem sido apontado como uma das principais causas da obesidade e da liderança dos EUA com o pais mais gordo do mundo!
Por todos os cantos tinha alguém correndo ou andando de bicicleta. Muitas bicicletas com pessoas de todas as idades em cima delas. Testei o Velib em Paris: mais de 300 estações espalhadas por toda cidade, sendo os primeiros 30 min de graça. Fácil e pratico, sem necessidade de cadastro antecipado.
Todos andando de carro. Carros, muito carros, automáticos, luxuosos... andar pra que?

    A França é o país mais magro da Europa, porém existe um alerta de que apesar disso o percentual da população com sobrepeso e obesidade tem crescido, acompanhando a tendência dos outros países europeus. Ainda assim, a França continua magra, linda, saudável e colorida. Quero seguir esse caminho e ser cada dia um pouco mais francesa. Cultivar o "comer com elengância, degustando, apenas para ficar satisfeita", correr e andar de bicicleta para me locomover, beberpreferencialmente água nas refeições, e um vinho tinto de vez em quando ( Até porque faz bem para o coração, em quantidade moderada).
Até a próxima!