Muito se fala em vida saudável nos dias de hoje, mas poucos sabem do que se trata realmente ter uma vida assim. Praticar, então, essa tal vida saudável, fica mais difícil ainda!
Há muita informação no mídia, internet, jornais, entretanto muitas são as dúvidas...
Este espaço foi criado para divulgação de informações sobre tópicos relacionados a saúde, atividade física, dietas e assuntos afins, com um foco especial na área da Endocrinologia, na qual atuo.
Aproveitem!!!
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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Voltando a forma pós parto: parte 3

Medicação para obesidade e suplementos: o que pode e o que não pode?

Muito bem, se você está amamentando as restrições são bem parecidas aquelas da gestação, pois grande parte dos remédio passa para o leite materno. Mesmo assim ainda restam algumas opções para auxiliar ao retorno do peso (ou ao emagrecimento, no caso daquelas que já partiram de um sobrepeso antes da gestação). Para ser mais didática vou separ os suplementos e medicamentos em pode e não pode

Podem ser usados:

Farelo de aveia- aumenta a saciedade e ajuda a regularizar o intestino. Consumida com fruta, iogurte, sopas, na massa de tortas.

Gogi Berry: Frutinha rica em vitaminas:

  •  complexo B, importante para músculos, sistema nervoso, enzimas, 
  •  vitamina C, importante para o sistema imunologico ]
  •  beta-sisterol, que tem ação anti-inflamatória, 
  •  cyperone, um fito-nutriente que proporciona benefícios ao coração e pressão sanguínea 
  •  fisalina, importante para portadores de hepatite B e C. 
  •  betaína, usada pelo fígado para produzir colina, substância necessária para a formação de fosfolípides, componentes de todas as membranas celulares. 
  •  beta-glucanas conhecidos como modificadores da resposta imunológica contra processos infecciosos.

Atua reduzindo obesidade, risco de doenças cardiovasculares e diabetes. Antioxidante e anti-inflamatório.
A dosagem diária recomendada de goji berry é entre 15 e 45 gramas ou 120 ml do seu suco. 

Chia- sementinha que expande ao ser ingerida e absorver água e aumenta muito a saciedade além de ter um efeito incrível reduzindo colesterol. pode ser utilizada 2x dia antes das refeições ou acompanhando fruta/ iogurte/ sopa/ suco, 1 colher se sobremesa em cada tomada é suficiente.

Orlistate (Lystate/ Xenical/ Lipiblock)- Medicações que reduzem a absorção de gordura. Formalmente não consta em bula a indicação para lactantes porém como não é absorvido pelo intestino e atua pontualmente no intestino poderia muito bem ser usado "off label" e acompanhado por seu médico, associado, claro a uma dieta hipocalórica.

Não podem ser usados:

Sibutramina

Anti depressivos e ansioliticos - fluoxetina, sertralina (salvo autorizado por psiquiatra dosando risco beneficio)

Victoza (como uso off label para obesidade)

Termogênicos 

Catecolaminérgicos: Anfepramona, fenproporex, mazindol (que no momento inclusive estão com seu uso restrito no Brasil mas qaue estão para serem liberados novamente)

   Claro que o uso de suplementos e medicamentos deve ser sempre complementar a uma dieta hipocalórica (com menos calorias) e preferencialmente pobre em carboidratos dentro da linha de trabalho que acho mais interessante, e atividade física regular. Sendo assim, logo poderá voltar a entrar naquelas roupas que estão saudosas de serem usadas.... 

   No próximo post vou falar um pouco de "Voltando a forma pós parto: Como não emagrecer demais", a pedido de amigas que estão com medo de irem embora com o vento de tão magras que ficaram.






quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Voltando a forma pós parto: parte 2

   Dando continuidade ao post anterior retorno, após 3 semanas do início do meu programa de "recuperação pós parto", já se foram 2 kg. Neste período não foram pequenas as dificuldades. Vou falar neste post das armadilhas da dieta no período pós parto. 


"Armadilhas da dieta no pós parto"

1. Noites mal dormidas.
Estes primeiros meses são difíceis para todos. Com o passar dos meses, os bebês vão aprendendo a dormir melhor, mas algumas crianças em especial ainda podem acordam de 2/2 h ou despertar no meio da noite e lá se foi o sono. Dias e dias de noites mal dormidas rendem um cansaço sem igual! E isso pode minar todo e qualquer desejo de seguir uma dieta ou um programa de atividade física. 
Descansar durante o dia enquanto o bebe dorme ajuda. Pedir auxílio e delegar os cuidados com o bebê ajuda muito nesse processo. Combine com uma avó, tia ou amiga e pelo menos 2 x na semana tire um tempo pra você fazer uma atividade física ou dormir sem preocupação. Deixe o pai se envolver neste processo! Tirando a amamentação ele pode e deve se envolver em todas as outras tarefas.

2. Visitas que trazem doces e chocolates.
Muitas visitas querem agradar e atenuar o cansaço e trazem doces como um mimo. Avós talentosas também presenteiam a "mamãe" cansada com bolinhos regulares. Seja honesta com as visitas e com você mesmo e sempre que possível avise que está quer voltar logo a forma. Se for inevitável, divida os "agrados" com vizinhos, porteiros e quem mais estiver por perto.
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3. Depressão pós parto, "Blues " puerperal.
Algumas mulheres podem experienciar um período de tristeza e até depressão nos primeiros meses pós parto. Não adianta afogar as mágoas e compensar na comida. Procure ajuda especializada, converse com seu obstetra e se necessário consulte um psiquiatra. 

4. Confinamento 
Até que todas as primeiras doses de vacinas sejam aplicadas, muito pediatras recomendam que os bebês permaneçam em casa e isso pode significar 3 meses de confinamento ou passeios restritos. ficar esse tempo em casa afogada na rotina de cuidados sem fim do bebê podem levar qualquer um a loucura. Ou pior, a comer. Não seja radical. Negocie passeios a lugares abertos, restaurantes sem muita concentração de pessoas, lugares públicos fora dos horários de pico de movimento. Saia e espaireça. Fará muito bem para cabeça e para sua dieta!

5. Fome desvairada
Amamentar, principalmente nos 2 primeiros meses causa uma fome danada! Durante a noite, isso ainda pode ser pior. Programe lanches saudáveis e dentro do seu programa alimentar. A dieta mais rica em proteínas ajuda e muito na saciedade, além de garantir um leite rico em proteínas essenciais para um bom desenvolvimento do bebê. Invista em fibras e suplementos alimentares que promovam saciedade. Quais suplementos? Estes serão abordados no meu próximo post desta série que vai falar sobre medicação para obesidade e suplementos nesta fase. Posso usar com segurança? Quais?

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Voltando a forma pós parto

   Estou com uma filha de 3 meses e como toda pessoa que sempre lutou com seu peso agora estou passando por uma fase difícil de estar acima do peso saudável , porém um pouco limitada a fazer grandes restrições alimentares por conta da amamentação. Achei interessante então compartilhar com vocês algumas informações sobre este período tão peculiar a recheado de mitos: Dieta e vida pós parto. Poderia fazer uso de  remédios para auxiliar na perda de peso ? Exercício físico, pode? Qual intensidade? Como deve ser a dieta?
   A dieta pós parto , acima de tudo, deve ser uma dieta saudável e bem balanceada quanto aos seus nutrientes. Dentre todas as dietas, optei por uma mais rica em proteínas e com menos carboidrato pela evidencias científicas crescentes de que esta dieta promove perda de peso de forma mais acelerada e manutenção de massa magra. Esse tipo de dieta também ajuda a promover saciedade pela digestibilidade e pelo conteúdo de aminoácidos como alanina e leucina. A restrição de calorias deve ser moderada. Uma restrição grande pode causar diminuição da produção de leite materno. E a oferta de calcio deve ser maior que na dieta tradicional.
  Uma redução de 500 kcal por dia já é suficiente para perda de 500 g por semana. Optei por uma dieta de 1500 kcal que seria o minimo seguro. Vou dar um exemplo de como seria:

Café da manha: 1 fatia de pão integral / 2 fatias de ricota/ 1 xic de leite desnatado/ cafe descafeinado
Colação: iogurte natural desnatado + 1 fruta
Almoço: 150g de carne + folhas verdes e vegetais. / 2 colheres de sopa de leguminosas ( feijão ou lentilha ou grão de bico)
Lanche: 2 fatias de pão integral ou subtituto/ 1 fatia de queijo / cha ou café descafeinado.
Jantar: 150 g de carne ou subtituto/ vegetais/ 1 fruta



Atividade física: musculação, pilates, ginastica localizada para fortalecimento muscular e ganho de  massa magra, tomando cuidado para não ser uma atividade muito intensa. Atividade física extenuante inibe a lactação. A atividade aeróbica também é bem vinda, porém recomenda- se que seja leve a moderada e de curta duração, acompanhada de hidratação abundante! Este, na minha opinião e vivencia é o aspecto mais importante para garantir uma boa produção de leite materno após o retorno a atividade física: hidratação abundante! 
  Além de todos os beneficios ao corpo, a atividade física é essencial para autoestima e para relaxar um pouco do " estresse" de cuidar do bebê e das noites mal dormidas. É. Um momento da mulher, só dela! E o prazer e a alegria ajudam no processo de aleitamento, aumentando a produçao e ejeção do leite materno.
  Eu optei por fazer musculação associada a exercicios aeróbicos divididos em 3 blocos de 10 min ( transport/ escada/ octane) somando um total de atividade de 1h-1h20min.

Minha meta é emagrecer pelo menos 2 kg por mes. Devagar e sempre. Primando pela manutenção do aleitamento mas sem esquecer de mim! Vou atualizando vocês....

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Obesidade, fertilidade e contracepção Parte 2


A obesidade é apontada como fator desencadeante de uma série de alterações da “capacidade reprodutiva” das mulheres (como já falado anteriormente), bem como problemas durante a gestação que põe em risco o feto (como pré-maturidade e maior risco de eclampsia, que é a forma grave de hipertensão arterial na gestante , evoluindo com crises convulsivas e lesão neurológica na mãe).


Muitos trabalhos relatam aumento do risco de perda fetal (aborto) precoce na gestação tanto em gestação espontâneas como naquelas induzidas pelo médico (com auxílio apenas de medicações ou fertilização in vitro). O mecanismo exato de infertilidade não está bem elucidado ainda. Já é sabido que mesmo nas mulheres com sobrepeso (IMC maior que 25 Kg/m2) os picos do hormônio luteinizante [LH] (que induz a ovulação e a formação do corpo lúteo) é menor (menos amplo) e que na média a concentração desse hormônio no sangue também é menor. Além disso, essas mulheres têm uma PIOR resposta ao estímulo de ovulação induzida por injeções de gonadotrofinas (como o Lupron) utilizadas para induzir ovulação.

Muito interessante é o fato que além de maior risco de infertilidade, o sobrepeso e a obesidade aumentam o risco de GESTAÇÃO INDESEJADA. Isso foi surpreendente para mim também! O risco da FALHA do contraceptivo hormonal (pílula anticoncepcional) é maior nas obesas ou com sobrepeso. A explicação para isso seria que o fígado da mulher nessa condição metaboliza mais rapidamente esses anticoncepcionais que os hormônios do anticoncepcional ficariam “seqüestrados”, dissolvidos na gordura, não atuando nos locais que deveriam atuar. Mas as evidencias na literatura médica sobre o porquê disso acontecer ainda é controversa e precisa ser melhor esclarecida.

A perda de peso é o tratamento de PRIMERIA linha no caso de mulheres inférteis, que não ovulam. A perda de peso de 2-10% do peso corporal já restitui a ovulação e a fertilidade em 44-72% das mulheres obesas nesta situação! Por isso, atenção mulheres que estão fora do peso mas desejam gestar: vamos correr atrás do prejuízo (literalmente) e fazer logo dieta e atividade física!!

domingo, 29 de julho de 2012

Obesidade, Infertilidade e Contracepção. Parte 1, opinião do Fisiologista.


        A  vida moderna, corrida, dinâmica e instável, impõe cada vez mais estresse  e dilemas à mulher. Talvez não somente à mulher, mas ao homem também, que se vê inseguro e sem saber mais seu papel ao lado dessa mulher moderna neurótica e frenética.  Cada vez mais, nós mulheres modernas, “empurramos” o desejo de ser mãe para mais tarde. Com isso, vamos vendo ao longo do caminho amigas, parentes ou conhecidas que não conseguem engravidar ou levam anos tentando...e terminam na “corrida maluca” para fazer tratamentos, como a fertilização in vitro. 
      Muitos são os fatores que influenciam na fertilidade. Fatores femininos e masculinos. O estresse, fumo, toxinas alimentares, são alguns dos fatores que diminuem a espermatogênese (produção de espermatozoides) masculina, por exemplo. Na mulher, além desse fatores gostaria de apontar para a OBESIDADE. Você pode estar achando que estou “puxando a brasa para minha sardinha”, mas a OBESIDADE por muito tempo foi um fator desconhecido de infertilidade e ainda é muito negligenciado. Na edição deste mês da revista da The Endocrine Society (Sociedade Americana de Endocrinologia) a matéria principal foi sobre “Obesidade, infertilidade e contracepção”. Achei muito interessante e resolvi dividir com vocês esse conhecimento. Vou dividir o post em três partes: Infertilidade, na parte 1, opinião do Fisiologista, na 2, opinião do Endocrinologista Clínico, e Contracepção, na parte 3.

A matéria da revista abriu meus olhos para alguns aspectos que simplesmente desconhecia, e me deixaram encantada (talvez abobalhada!). A fertilidade e as anormalidades na ovulação têm relação clara com ESTADO NUTRICIONAL. A desnutrição, o baixo peso e a pratica de atividade física extenuante influenciam o eixo que controla a ovulação (Eixo-hipotálamo-hipofisário) inibindo esta.  Isso ocorre como um mecanismo de defesa do organismo, afinal “se não tem energia nem pra manter um corpo em pé, que dirá gerar um segundo.” Neste contexto, moléculas de sinalização presentes no cérebro, no hipotálamo, diminuem: kisspeptina, leptina, galanina e Neuropeptideo Y (para nomear para aqueles da área de saúde). Essas proteínas são sinalizadores FUNDAMENTAIS para produção das Gonadotrofinas (que comandam a ovulação). Curioso é que pesquisadores encontraram semelhante diminuição dessas proteínas no cérebro das mulheres obesas, que desenvolvem o que chamamos de “hipogonadismo hipogonadotrofico”, ou seja, de forma semelhantes as desnutridas, as obesas diminuem a sinalização de “ovular” e se preparar para gestar.
            E é só isso? Não, tem mais! O ovócito secundário (vulgo “óvulo”) da mulher obesa parece ter uma qualidade pior para prosseguir na formação do embrião. É esse ovócito quem “doa” as mitocôndrias que irão ser a usina geradora de energia para o ovo fertilizado, e o futuro embrião, se desenvolverem e implantarem no útero eficientemente. Em experimentos com ratas obesas, estas mitocôndrias exibem metabolismo anormal, DNA alterado e uma distribuição no ovulo alterada. Quando essas ratas obesas permanecem submetidas a dieta rica em gordura, seus ovócitos são menores e o sucesso da fertilização in vitro (FIV, conhecido popularmente como “bebe de proveta”).
            A implantação do embrião no útero, que garante a formação adequada da placenta e o sucesso da gestação parece ser dificultada pela obesidade, provavelmente pela produção de proteínas inflamatórias que criam um ambiente uterino inóspito para o embrião.
            Para completar, fiquei pasma com o achado em estudos com animais, que o isolamento social também leva a infertilidade e significativo aumento de Câncer de Mama!! Os pesquisadores isolaram por 14 semanas um grupo de camundongos fêmeas, antes de entrarem na puberdade (pré-púberes), em gaiolas individuais enquanto deixaram em uma gaiola agrupadas 5 de suas “irmãs”.  Os camundongos que ficaram isolados tiveram maior incidência de câncer de mama e os tumores eram maiores e mais agressivos. O ciclo hormonal dos camundongos e de moléculas de sinalização cerebrais e nos tecidos periféricos. Os experimentos sugerem que não só a obesidade, mas também o estresse e o isolamento social podem ser importantes no processo de infertilidade e de tumorgênese.
            A infertilidade associada a obesidade e a irregularidade menstrual sempre foram muito associada a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Sempre atendi mulheres obesas que se queixavam de irregularidade menstrual mas não preenchiam os critérios de SOP. Muitas vezes, essas mulheres foram “taxadas” como tendo SOP e vinham sendo tratados com anticoncepcionais ou metformina (remédio para diminuir a glicose) incorretamente. Ficava me questionando o que tinham essas mulheres obesas. Agora estou feliz! Feliz em saber!!! Não tem jeito, no final tudo recai sobre perder peso e adquirir hábitos mais saudáveis. Nós profissionais de saúde temos o dever de insistir nessa tecla. E vocês, em quem a carapuça servir, em acreditar que é possível e que há uma luz no fim do túnel!
        Este foi o artigo da opinião do “fisiologista” (pesquisador, que estuda a parte molecular de como o organismo funciona). Na próxima postagem, vou abordar a opinião do “Endocrinologista clínico”. Até breve!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Bebe nasce na China com 7Kg. Isso é normal?

Não, isso não é tampouco normal nem aceitável!!! Algumas famílias até podem ter nenéns maiores, com mais de 4 kG, raramente 5Kg, sem nenhuma doença associada. Na GRANDE MAIORIA dos casos, entretanto, isso é resultado de diabetes gestacional não tratado e/ou ganho excessivo de peso materno!!! As noticias que li sobre o caso falam de uma chinesa, da região central do país, que é a mais pobre, e que "aparentemente tinha uma gestação normal, como da primeira filha". Provavelmente não realizou pré-natal com ultrassonografia. Este exame com certeza teria previsto esse neném enorme e uma gestação de ALTO risco de complicações para mãe e para o bebê. Muitas pessoas não sabem, mas na China só é permitido um filho por casal. O segundo é sujeito a multa, e muitos casais tem o segundo filho na ILEGALIDADE , sem registrá-lo, o que corrobora a hipótese de ausência de pré-natal! Não achem isso "bonitinho, nem impressionante"! Isso é muito perigoso!!! Não tentem fazer isso em casa!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Gestação e Diabetes

Você pode estar se perguntando: "O que tem haver gestação com diabetes?" ou "Não sou diabética. E eu com isso?". O que muitos nem imaginam é que gestação tem MUITA relação com DIABETES. Informar-se sobre isso e prevenir é essencial. Só quem sabe estar em risco de Diabetes Gestacional pode se prevenir antes mesmo de gestar, ainda na fase de "programação da gestação". Como? Por que? Você irá descobrir agora!

Durante toda a gestação, mas principalmente após as 24 semanas, a placenta produz hormônios que são importantes para manutenção da gestação, saúde da mãe e do neném. Estes hormônios, entretanto, tem um efeito "diabetogênico" na mãe. São conhecidos como hormônios contrareguladores do metabolismo da glicose. Tem um efeito de aumentar a resistência do organismo a ação da insulina (hormônio responsável pela queima de glicose transformando-a em energia). Algumas mulheres, sob efeito desses hormônios tem diabetes gestacional. O diabetes durante a gestação causa complicações fetais e maternas. Maior risco de complicações durante o parto. A criança fica muito grande tendo complicações para nascer. Há risco de hipoglicemia nos primeiros dias de vida, o que é muito grave, pois a baixa de glicose no sangue do recém nascido causa risco de vida ou complicações graves, como crise convulsiva, sequelas neurológicas, dentre outras.

Mas quem está sob risco de diabetes gestacional?

Mães que já eram diabéticas antes de gestar

Mulheres que tem os seguintes fatores de risco:

- obesas (IMC maior que 30 Kg/m2) ou que estão ganhando muito peso durante a gestação

- parentes de 1o grau com diabetes (pai, mãe, irmãos)

- IDADE > 25 anos (isso é, para muitos, chocante! Afinal, muitas mulheres, no dias de hoje, engravidam após os 25 anos)

- História prévia de filho com >4 Kg

- Síndrome de ovário policístico (antes da gestação)

- Uso de corticoide

- Perda fetal prévia, sem causa definida.

Se a mulher tiver algum desses fatores de risco deve ser submetida a um rastreamento mais precoce, logo no início da gestação, e reavaliada quando estiver com 24 semanas de gestação. E como prevenir? Tendo cuidados durante a gestação, mantendo uma alimentação saudável, de preferencia orientada por nutricionista, mantendo um ganho de peso dentro dos limites estabelecidos por seu/sua médico(a), praticando atividade física (sem excessos). Antes de gestar, já é importante tentar atingir um peso dentro da faixa saudável (não engravidar obesa). Essa é uma das medidas mais eficazes para prevenir o diabetes gestacional, e além disso a hipertensão da gestação (pré-eclampsia), que também é muito perigosa.

Informação e prevenção são as palavras chaves para uma gestação tranquila.

Vejo vocês em breve! Aguardo comentários!!


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Gestação e tireóide

Nesta semana atendi duas gestantes com hipotireoidismo subclínico. A primeira, apesar de ter uma história familiar bem positiva para doença da tireóide, mãe e pai (que é mais raro!) e de já ter tido nódulos e aumento da tireóide no passado, nunca tinha se preocupado com isso. Ficou grávida com facilidade, mesmo já tendo 34 anos (o que poderia atrapalhá-la) e então foi alertada que deveria cuidar da sua tireóide. A segunda , médica, achava que estava tudo bem com a tireoide. Viu o exame dentro dos valores de referência de normalidade e mesmo com sintomas de hipotireoidismo, extremo cansaço, fraqueza, sonolência incapacitante, inchaço, muito piores do que aqueles da primeira gestação, foi tocando a vida. Interessante notar que não me procurou em consulta. Nos encontramos no corredor e, num papo amigável e informal, foi feito o diagnóstico e ela foi desviada do seu caminho direto para o meu consultório!
Mas quando um mulher que está grávida deve preocupar-se com sua tireóide?
A melhor resposta é: desde antes da gestação! Alterações da glândula tireóide, mesmo as ditas "subclínicas" podem atrapalhar o início da gestação, sendo uma causa de infertilidade, reversível com o tratamento. Mulher com história familiar de doença da tireóide, principalmente de doença autoimune, que é a mais comum, devem fazer obrigatoriamente o rastreamento com avaliação da função da tireóide (TSH e T4L no sangue) e da presença de anticorpos contra a tireoide ( anti TPO e anti TG). esmo com função tireoidiana dentro dos valores laboratoriais de normalidade, tem benefício em serem tratadas aquelas com anticorpo anti TPO em valores altos (anti TPO maior que 1000) ou com TSH maior que 2,5. Este é o valor considerado NORMAL principalmente para gestante, mostrando menor índice de perda fetal (desde a situação da concepção ate abortos precoces). Com esse valor de TSH obteve-se o melhor resultado, restituindo a fertilidade e conseguindo-se levar a gestação até o tempo certo. Além disso, durante a gestação acontecem modificações na fisiologia da mulher que podem levar a descompensação de mulher que vinham tolerando bem um hipotireoidismo subclínico. Este pode tornar clinicamente evidente e com sintomas ruins como sonolência excessiva, ganho de peso maior que o desejado e esperado, inchaço nas pernas e face, unhas quebradiças, prisão de ventre, dentre outros. Outro fato muito importante é que o hormônio tireoidiano é essencial para o desenvolvimento do neném dentro do útero, principalmente para o sistema nervoso central. O homônio tireoidiano utilizado pelo neném é o proveniente da mãe até pelo menos 12 semanas de gestação. Nesta época (12-13 semana) o neném já começa a produzir seu próprio homônio, pois já tem tireoide formada e funcionando, e fica menos dependente do homônio materno. Logo, principalmente nas primeiras 12 semanas a mulher tem que ter um bom nível de homônio para suprir as suas necessidade e as do neném.
Futuras mamãe atenção !!!! Ter uma avaliação da função da tireóide é muito importante antes e durante a gestação.
Até breve!!