Neste domingo completei minha primeira MEIA MARATONA (21 km correndo, sem parar, da Barra da
Tijuca ao Aterro do Flamengo). Resolvi escrever sobre essa experiência pois o
“processo” de correr uma Meia Maratona em muito se assemelha com qualquer outro
processo de “conquista de um objetivo”, de “realização de um sonho”.
Há alguns
anos, desde que um amigo correu a meia maratona, tenho vontade de correr a MEIA
MARATONA DO RIO DE JANEIRO. Para começar, porque o cenário é lindo, passando
por toda orla do Rio de Janeiro, da Barra da Tijuca ao Aterro do Flamengo. O
clima é de vibração e empolgação de uma plateia de desconhecidos, que te
impulsionam e estimulam, como se fossem da sua família. Até ai, tudo não
passava de um sonho distante, bem distante. Mais do que distante, achava
IMPOSSIVEL. Treze anos se passaram até que retomasse esse propósito e
ACREDITASSE. Após acreditar, parti para o PLANEJAMENTO. Elaboramos um plano e tentei segui-lo o mais
fielmente possível. É claro que “escorreguei” e em alguns momentos não segui
100% o plano, mas me esforcei ao máximo. Se o plano era treinar todos os dias,
correr horas e horas? Não! Era um plano BEM REALISTA, baseado na minha vida, no
meu trabalho, na minha rotina. Tinha que correr 3x na semana sendo que em dois
dias treinava em torno de 45 min- 1h e aos domingos fazia um treino mais longo.
Em 5 meses progredi de 7km, no treino longo, até 16km. Era para ter ido até
18km, porém tirei férias, sim FERIAS, e depois adoeci, o que atrasou meu
treinamento. Neste momento, tive dúvida
se conseguiria atingir o meu objetivo, afinal nunca tinha corrido nem os 18km
planejados, imagine 21km! ACREDITEI!
Ao longo
dos meses de treinamento, com a progressão dos treinos longos, tive dificuldade
em acordar cedo no final de semana, afinal acordo cedo TODOS os dias! Treinei a
noite, treinei as 11h da manhã , me arrependi de ir correr tão tarde, com sol e
calor. Pensei em desistir quando eram programados 14km e ainda estava em 7km,
super cansada. Todo esse processo me fez crescer muito. Durante a corrida, as
vezes sentia dor, no joelho, nos dedinhos, cólica abdominal. Nestes momentos,
falava para mim mesma: “Não desista, você é FORTE. VAMOS LA!! Força!”,“Falta
pouco”, “já foram 10, agora, só mais 4km!”. Num determinado momento, você
acredita. Acredita nisso pra corrida, mas leva isso para sua vida também. A
mensagem fica gravada. O orgulho, estampado no rosto e no coração. A mensagem
gruda na sua cabeça. Essa força, essa segurança, é uma herança para outros
momentos da vida: para carreira, para o mestrado, para uma prova, para mudar o corpo, para emagrecer... Aprendi
muito treinando para corrida!
Chegou o
grande dia. Como em toda “estreia”, o nervosismo imperava. Ansiedade,
dificuldade para dormir a noite. Acordei
as 4:40h da manhã, 1 minuto antes do despertador. E o sono? Foi embora! Nada de
sono. Apenas uma vontade enorme de conquistar aquilo para que tinha me
preparado por 5 meses, ou melhor, por 13 anos. Dada a largada, muitos partem
afoitos, rápidos. Tive calma, segurei o passo, ajustei a musica. Afinal
precisava de um repertório que durasse pelo menos 2h e 30 min! Mantive o passo.
Curti a vista. Subi a Niemayer. Tive cólica. Fomos perseguidos por um
Rottweiler, que pulou o portão de uma casa e correu, no meio da multidão,
raivoso, em busca de uma presa canina, que acompanhava seu dono na maratona.
Fugi do Rottweiler. Curti a vista. Peguei chuva, fraca, depois muito forte,
depois com vento, depois só forte. Falei comigo mesma que conseguiria. Me
emocionei pensando na chegada. Passei pelos 16 km, 17, 18, acreditei. Me senti
forte. Acelerei o passo, estiquei as costas. Corri mais rápido. 19, 20, corri mais
rápido e mais empinada. 21km. Vi a chegada. Corri mais rápido. Venci! Chorei,
chorei. Fiquei muito feliz. Senti meus joelhos, minhas coxas. Andei, feliz e
orgulhosa. Pensei na minha família, na minha mãe, no meu marido. Agradeci ao meu treinador
pela força e por ter me feito ACREDITAR. Agradeci pelo planejamento. Por ter me
estimulado. Sim, eu poderia completar a maratona. Mesmo sendo uma médica
atarefada, mesmo dando plantões, mesmo tendo que arrumar tempo para correr,
fazer compras pra casa, fazer comida, dar atenção a família, estudar. Mesmo
tirando férias. Mesmo terminando o mestrado. Sim, eu ACREDITEI, me PLANEJEI,
VENCI os obstáculos. ATINGI O MEU OBJETIVO. As lições apreendidas ultrapassam a
corrida em si. Foram lições de vida, de perseverança, de planejamento, de
adaptação, de paciência, que serão levadas pra minha vida. Muito feliz. Muito
realizada. Inscrita na próxima!

