Muito se fala em vida saudável nos dias de hoje, mas poucos sabem do que se trata realmente ter uma vida assim. Praticar, então, essa tal vida saudável, fica mais difícil ainda!
Há muita informação no mídia, internet, jornais, entretanto muitas são as dúvidas...
Este espaço foi criado para divulgação de informações sobre tópicos relacionados a saúde, atividade física, dietas e assuntos afins, com um foco especial na área da Endocrinologia, na qual atuo.
Aproveitem!!!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Obesidade, fertilidade e contracepção Parte 2


A obesidade é apontada como fator desencadeante de uma série de alterações da “capacidade reprodutiva” das mulheres (como já falado anteriormente), bem como problemas durante a gestação que põe em risco o feto (como pré-maturidade e maior risco de eclampsia, que é a forma grave de hipertensão arterial na gestante , evoluindo com crises convulsivas e lesão neurológica na mãe).


Muitos trabalhos relatam aumento do risco de perda fetal (aborto) precoce na gestação tanto em gestação espontâneas como naquelas induzidas pelo médico (com auxílio apenas de medicações ou fertilização in vitro). O mecanismo exato de infertilidade não está bem elucidado ainda. Já é sabido que mesmo nas mulheres com sobrepeso (IMC maior que 25 Kg/m2) os picos do hormônio luteinizante [LH] (que induz a ovulação e a formação do corpo lúteo) é menor (menos amplo) e que na média a concentração desse hormônio no sangue também é menor. Além disso, essas mulheres têm uma PIOR resposta ao estímulo de ovulação induzida por injeções de gonadotrofinas (como o Lupron) utilizadas para induzir ovulação.

Muito interessante é o fato que além de maior risco de infertilidade, o sobrepeso e a obesidade aumentam o risco de GESTAÇÃO INDESEJADA. Isso foi surpreendente para mim também! O risco da FALHA do contraceptivo hormonal (pílula anticoncepcional) é maior nas obesas ou com sobrepeso. A explicação para isso seria que o fígado da mulher nessa condição metaboliza mais rapidamente esses anticoncepcionais que os hormônios do anticoncepcional ficariam “seqüestrados”, dissolvidos na gordura, não atuando nos locais que deveriam atuar. Mas as evidencias na literatura médica sobre o porquê disso acontecer ainda é controversa e precisa ser melhor esclarecida.

A perda de peso é o tratamento de PRIMERIA linha no caso de mulheres inférteis, que não ovulam. A perda de peso de 2-10% do peso corporal já restitui a ovulação e a fertilidade em 44-72% das mulheres obesas nesta situação! Por isso, atenção mulheres que estão fora do peso mas desejam gestar: vamos correr atrás do prejuízo (literalmente) e fazer logo dieta e atividade física!!

domingo, 29 de julho de 2012

Obesidade, Infertilidade e Contracepção. Parte 1, opinião do Fisiologista.


        A  vida moderna, corrida, dinâmica e instável, impõe cada vez mais estresse  e dilemas à mulher. Talvez não somente à mulher, mas ao homem também, que se vê inseguro e sem saber mais seu papel ao lado dessa mulher moderna neurótica e frenética.  Cada vez mais, nós mulheres modernas, “empurramos” o desejo de ser mãe para mais tarde. Com isso, vamos vendo ao longo do caminho amigas, parentes ou conhecidas que não conseguem engravidar ou levam anos tentando...e terminam na “corrida maluca” para fazer tratamentos, como a fertilização in vitro. 
      Muitos são os fatores que influenciam na fertilidade. Fatores femininos e masculinos. O estresse, fumo, toxinas alimentares, são alguns dos fatores que diminuem a espermatogênese (produção de espermatozoides) masculina, por exemplo. Na mulher, além desse fatores gostaria de apontar para a OBESIDADE. Você pode estar achando que estou “puxando a brasa para minha sardinha”, mas a OBESIDADE por muito tempo foi um fator desconhecido de infertilidade e ainda é muito negligenciado. Na edição deste mês da revista da The Endocrine Society (Sociedade Americana de Endocrinologia) a matéria principal foi sobre “Obesidade, infertilidade e contracepção”. Achei muito interessante e resolvi dividir com vocês esse conhecimento. Vou dividir o post em três partes: Infertilidade, na parte 1, opinião do Fisiologista, na 2, opinião do Endocrinologista Clínico, e Contracepção, na parte 3.

A matéria da revista abriu meus olhos para alguns aspectos que simplesmente desconhecia, e me deixaram encantada (talvez abobalhada!). A fertilidade e as anormalidades na ovulação têm relação clara com ESTADO NUTRICIONAL. A desnutrição, o baixo peso e a pratica de atividade física extenuante influenciam o eixo que controla a ovulação (Eixo-hipotálamo-hipofisário) inibindo esta.  Isso ocorre como um mecanismo de defesa do organismo, afinal “se não tem energia nem pra manter um corpo em pé, que dirá gerar um segundo.” Neste contexto, moléculas de sinalização presentes no cérebro, no hipotálamo, diminuem: kisspeptina, leptina, galanina e Neuropeptideo Y (para nomear para aqueles da área de saúde). Essas proteínas são sinalizadores FUNDAMENTAIS para produção das Gonadotrofinas (que comandam a ovulação). Curioso é que pesquisadores encontraram semelhante diminuição dessas proteínas no cérebro das mulheres obesas, que desenvolvem o que chamamos de “hipogonadismo hipogonadotrofico”, ou seja, de forma semelhantes as desnutridas, as obesas diminuem a sinalização de “ovular” e se preparar para gestar.
            E é só isso? Não, tem mais! O ovócito secundário (vulgo “óvulo”) da mulher obesa parece ter uma qualidade pior para prosseguir na formação do embrião. É esse ovócito quem “doa” as mitocôndrias que irão ser a usina geradora de energia para o ovo fertilizado, e o futuro embrião, se desenvolverem e implantarem no útero eficientemente. Em experimentos com ratas obesas, estas mitocôndrias exibem metabolismo anormal, DNA alterado e uma distribuição no ovulo alterada. Quando essas ratas obesas permanecem submetidas a dieta rica em gordura, seus ovócitos são menores e o sucesso da fertilização in vitro (FIV, conhecido popularmente como “bebe de proveta”).
            A implantação do embrião no útero, que garante a formação adequada da placenta e o sucesso da gestação parece ser dificultada pela obesidade, provavelmente pela produção de proteínas inflamatórias que criam um ambiente uterino inóspito para o embrião.
            Para completar, fiquei pasma com o achado em estudos com animais, que o isolamento social também leva a infertilidade e significativo aumento de Câncer de Mama!! Os pesquisadores isolaram por 14 semanas um grupo de camundongos fêmeas, antes de entrarem na puberdade (pré-púberes), em gaiolas individuais enquanto deixaram em uma gaiola agrupadas 5 de suas “irmãs”.  Os camundongos que ficaram isolados tiveram maior incidência de câncer de mama e os tumores eram maiores e mais agressivos. O ciclo hormonal dos camundongos e de moléculas de sinalização cerebrais e nos tecidos periféricos. Os experimentos sugerem que não só a obesidade, mas também o estresse e o isolamento social podem ser importantes no processo de infertilidade e de tumorgênese.
            A infertilidade associada a obesidade e a irregularidade menstrual sempre foram muito associada a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Sempre atendi mulheres obesas que se queixavam de irregularidade menstrual mas não preenchiam os critérios de SOP. Muitas vezes, essas mulheres foram “taxadas” como tendo SOP e vinham sendo tratados com anticoncepcionais ou metformina (remédio para diminuir a glicose) incorretamente. Ficava me questionando o que tinham essas mulheres obesas. Agora estou feliz! Feliz em saber!!! Não tem jeito, no final tudo recai sobre perder peso e adquirir hábitos mais saudáveis. Nós profissionais de saúde temos o dever de insistir nessa tecla. E vocês, em quem a carapuça servir, em acreditar que é possível e que há uma luz no fim do túnel!
        Este foi o artigo da opinião do “fisiologista” (pesquisador, que estuda a parte molecular de como o organismo funciona). Na próxima postagem, vou abordar a opinião do “Endocrinologista clínico”. Até breve!

terça-feira, 10 de julho de 2012

Meia-maratona: sonho, planejamento, treinamento, conquista. Lições de vida.



            Neste domingo completei minha primeira MEIA MARATONA (21 km correndo, sem parar, da Barra da Tijuca ao Aterro do Flamengo). Resolvi escrever sobre essa experiência pois o “processo” de correr uma Meia Maratona em muito se assemelha com qualquer outro processo de “conquista de um objetivo”, de “realização de um sonho”.
            Há alguns anos, desde que um amigo correu a meia maratona, tenho vontade de correr a MEIA MARATONA DO RIO DE JANEIRO. Para começar, porque o cenário é lindo, passando por toda orla do Rio de Janeiro, da Barra da Tijuca ao Aterro do Flamengo. O clima é de vibração e empolgação de uma plateia de desconhecidos, que te impulsionam e estimulam, como se fossem da sua família. Até ai, tudo não passava de um sonho distante, bem distante. Mais do que distante, achava IMPOSSIVEL. Treze anos se passaram até que retomasse esse propósito e ACREDITASSE. Após acreditar, parti para o PLANEJAMENTO.  Elaboramos um plano e tentei segui-lo o mais fielmente possível. É claro que “escorreguei” e em alguns momentos não segui 100% o plano, mas me esforcei ao máximo. Se o plano era treinar todos os dias, correr horas e horas? Não! Era um plano BEM REALISTA, baseado na minha vida, no meu trabalho, na minha rotina. Tinha que correr 3x na semana sendo que em dois dias treinava em torno de 45 min- 1h e aos domingos fazia um treino mais longo. Em 5 meses progredi de 7km, no treino longo, até 16km. Era para ter ido até 18km, porém tirei férias, sim FERIAS, e depois adoeci, o que atrasou meu treinamento.  Neste momento, tive dúvida se conseguiria atingir o meu objetivo, afinal nunca tinha corrido nem os 18km planejados, imagine 21km!  ACREDITEI!
            Ao longo dos meses de treinamento, com a progressão dos treinos longos, tive dificuldade em acordar cedo no final de semana, afinal acordo cedo TODOS os dias! Treinei a noite, treinei as 11h da manhã , me arrependi de ir correr tão tarde, com sol e calor. Pensei em desistir quando eram programados 14km e ainda estava em 7km, super cansada. Todo esse processo me fez crescer muito. Durante a corrida, as vezes sentia dor, no joelho, nos dedinhos, cólica abdominal. Nestes momentos, falava para mim mesma: “Não desista, você é FORTE. VAMOS LA!! Força!”,“Falta pouco”, “já foram 10, agora, só mais 4km!”. Num determinado momento, você acredita. Acredita nisso pra corrida, mas leva isso para sua vida também. A mensagem fica gravada. O orgulho, estampado no rosto e no coração. A mensagem gruda na sua cabeça. Essa força, essa segurança, é uma herança para outros momentos da vida: para carreira, para o mestrado, para uma prova, para mudar o corpo, para emagrecer... Aprendi muito treinando para corrida!
            Chegou o grande dia. Como em toda “estreia”, o nervosismo imperava. Ansiedade, dificuldade para dormir a noite.  Acordei as 4:40h da manhã, 1 minuto antes do despertador. E o sono? Foi embora! Nada de sono. Apenas uma vontade enorme de conquistar aquilo para que tinha me preparado por 5 meses, ou melhor, por 13 anos. Dada a largada, muitos partem afoitos, rápidos. Tive calma, segurei o passo, ajustei a musica. Afinal precisava de um repertório que durasse pelo menos 2h e 30 min! Mantive o passo. Curti a vista. Subi a Niemayer. Tive cólica. Fomos perseguidos por um Rottweiler, que pulou o portão de uma casa e correu, no meio da multidão, raivoso, em busca de uma presa canina, que acompanhava seu dono na maratona. Fugi do Rottweiler. Curti a vista. Peguei chuva, fraca, depois muito forte, depois com vento, depois só forte. Falei comigo mesma que conseguiria. Me emocionei pensando na chegada. Passei pelos 16 km, 17, 18, acreditei. Me senti forte. Acelerei o passo, estiquei as costas. Corri mais rápido. 19, 20, corri mais rápido e mais empinada. 21km. Vi a chegada. Corri mais rápido. Venci! Chorei, chorei. Fiquei muito feliz. Senti meus joelhos, minhas coxas. Andei, feliz e orgulhosa. Pensei na minha família, na minha mãe, no meu marido. Agradeci ao meu treinador pela força e por ter me feito ACREDITAR. Agradeci pelo planejamento. Por ter me estimulado. Sim, eu poderia completar a maratona. Mesmo sendo uma médica atarefada, mesmo dando plantões, mesmo tendo que arrumar tempo para correr, fazer compras pra casa, fazer comida, dar atenção a família, estudar. Mesmo tirando férias. Mesmo terminando o mestrado. Sim, eu ACREDITEI, me PLANEJEI, VENCI os obstáculos. ATINGI O MEU OBJETIVO. As lições apreendidas ultrapassam a corrida em si. Foram lições de vida, de perseverança, de planejamento, de adaptação, de paciência, que serão levadas pra minha vida. Muito feliz. Muito realizada. Inscrita na próxima! 


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Chia: essa sementinha está na moda. Mito ou verdade?


Há uns 6 meses tenho escutado falar nesta sementinha chamada CHIA. Escutei primeiramente de uma Cardiologista amiga minha, que está usando juntamente com seus pais. Logo em seguida, dois pacientes se consultaram comigo, ambos mantendo os mesmos remédios, mas com o colesterol muito melhor. Minha madrinha, recentemente comentou que está usando a CHIA e revela que fica mais tempo satisfeita após o uso da Chia no café da manhã. Resolvi então, curiosa que sou, estudar (sugestão: investigar)um pouquinho sobre essa sementinha da moda.
A semente da CHIA é rica em ácidos graxos dentre os quais o alfa-linoleico (ômega 3). Quando hidratada (por ser misturada em iogurte, sucos ou frutas, por exemplo) assume uma consistência gelatinosa que ajudaria a “saciar” o apetite, diminuindo a fome, e lentificar a absorção de açúcares. Além disso,  teria propriedade de diminuir o colesterol ruim e aumentar o bom. Tem fibras que ajudariam no trânsito intestinal, contribuindo para regularização do intestino. O potencial dessa sementinha é enorme.
Buscando artigos científicos sobre a chia pude constatar que a grande maioria dos artigos que veem grandes benefícios são feitos em ratos ou camundongos. Só achei um único artigo em humanos! Neste artigo, os pesquisadores trataram homens e mulheres obesas, entre 20 e 70 anos, com 25g de semente de CHIA ou placebo, administrados 2x ao dia (total de 50g de CHIA por dia). Avaliaram parâmetros do metabolismo, peso, pressão arterial, glicose, gorduras no sangue (colesterol e triglicerídeos), substâncias inflamatórias dosáveis no sangue (que predispõe ao diabetes, câncer e doença cardíaca, dentre outras), antes e após 12 semanas de estudo. Ao final do estudo concluíram que não houve diferença entre os grupos que usaram CHIA ou placebo. É claro que é apenas um único estudo, com apenas 76 pessoas (geralmente são necessárias mais pessoas para uma conclusão definitiva). Talvez a dose utilizada da CHIA tenha sido pouca, insuficiente para mostrar sua “potência benéfica”. Enfim, muito ainda há que se aprender. Fato certo é que muitos sites e lojas de produtos alimentícios e remédios fazem propaganda SEM embasamento científico. Chegam a conclusões precipitadas e propagandeiam como se fosse uma verdade absoluta.
O que eu acho? Pessoalmente, usaria a semente. Tem grande potencial teórico para funcionar. Não prescreveria, pois não posso me comprometer com meus pacientes indicando algo sem evidência científica. Trabalho com o que há de mais correto em relação a grau de evidência. Mesmo assim, vira e mexe somos surpreendidos por novos efeitos colaterais de antigas drogas! A vida é um bem muito valioso para “brincarmos” com ela. Muito melhor é VIVÊ-LA!! Também não aconselho ninguém a “suspender os remédios do colesterol” apenas para usar CHIA. Muito temos que aprender sobre essa sementinha ainda!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

E como está sua vitamina D?

Você sabe como está sua Vitamina D? Há pelo menos 3 anos muito tem se falado sobre a importância em se pesquisar a deficiência de vitamina D.  Muitos artigos tem explorado os diversos papéis dessa vitamina no organismo, que, para ser sincera, não deveria nem mais ser tratada como um “vitamina”, mas sim um hormônio! O aumento da incidência de deficiência de vitamina D é uma realidade no mundo inteiro. Acreditava-se que o Brasil, por ser um país “ensolarado”, estaria livre deste problema. O que tem se observado é que mesmo neste país ensolarado muitos tem deficiência de vitamina D. Tenho solicitado rotineiramente essa dosagem e fico impressionada de como tenho encontrado deficiência desta vitamina. Mas, porque é importante tratar a deficiência de vitamina D? A vitamina D tem como funções: 1)Regular o metabolismo ósseo desde a absorção de cálcio no intestino, fixação de cálcio nos ossos, formação de osso, mantendo a “qualidade do osso”. Previne osteopenia e osteoporose. 2) nos músculos (tecido muscular) regula a entrada de cálcio e a força, além do tônus muscular. Sua falta leva a fraqueza muscular, fadiga, diminuição do equilíbrio e maior propensão a quedas. 3)previne o aparecimento de Diabetes tipo 2. 4)Atua no sistema de defesa do organismo (sistema imune) , sendo que sua falta leva a um maior aparecimento de doenças auto-imunes. 5)Atua no músculo dos vasos sanguíneos, diminuindo a produção de sustância que aumentam a pressão e inibe a formação de novos vasos sanguíneos. A falta de vitamina D pode ser responsável por aumento da pressão arterial e de eventos cardíacos (infarto do miocárdio). 6) Parece tem efeito anticancerígeno, principalmente quando se trata de câncer de intestino. Quem está sob maior risco para essa deficiência?  Idosos, principalmente mulheres; Negros; Pessoas que utilizam protetor solar diariamente ou que se exponham pouco ao sol; OBESOS; Acho fundamental dosar essa vitamina principalmente nos indivíduos com maior risco de deficiência. Repor sempre que necessário e sem excesso, afinal como sempre falo aqui, o equilíbrio é fundamental! Até breve!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Óleo de coco: beneficio real ou mito?


Depois de um longo período ausente, estou voltando a escrever. Decidi retornar com um tema que tem sido muito comentado, que é o uso do óleo de coco para emagrecimento. Como um óleo pode levar ao emagrecimento? Vivemos escutando sobre os malefícios do excesso de gordura na alimentação e de repente me aparece um óleo “prometendo” emagrecer?

O óleo de coco tem sido “badalado”, gerando empolgação por suas propriedades benéficas, porém, uma conclusão definitiva sobre seu poder emagrecedor ainda depende da conclusão de estudos que estão em andamento. Aqui no Rio de Janeiro mesmo há um grupo do Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras conduzindo um estudo neste sentido. Mas o que faz desse óleo especial?

O óleo de coco é rico em triglicerídeos de cadeia média, que não dependem de nenhuma enzima digestiva para serem absorvidos pelo organismo. Após absorvidos, caem rapidamente na corrente sanguínea. Tem 3 efeitos principais:

1) SACIEDADE: atuando no Sistema Nervoso Central, nas regiões responsáveis por sinalizar que a pessoa esta SATISFEITA, diminuindo tanto a fome como a vontade de iniciar uma nova refeição.

2) NO ESTÔMAGO: diminui a velocidade de contração do estomago, deixando este mais “parado” e diminuindo a velocidade de esvaziamento. Isso prolonga a sensação de SATISFAÇÃO.

3) NO METABOLISMO: Parece aumentar a taxa de metabolismo basal, e assim, o gasto de energia, além de alterar a produção de gorduras pelo organismo. Diminui os triglicerídeos e aumenta o colesterol HDL (o colesterol “bom”).

Esses efeitos têm sido atribuídos principalmente ao ácido láurico presente neste óleo. A confirmação disso, entretanto, depende dos estudos em andamento comparando os efeitos do uso de óleo de coco versus acido láurico isolado e placebo.

A quantidade de óleo benéfica seria de 1 a 4 colheres de sopa do óleo por dia, ingeridos juntamente com as refeições. Tem que ser do óleo de coco VIRGEM, e não do refinado. A quantidade de óleo pode variar de acordo com a pessoa, idade e doenças associadas a obesidade. A terapia deve ser individualizada pelo médico e nutricionista.

Vale ressaltar que esses efeitos descritos são POTENCIAIS não havendo ainda conclusão definitiva sobre benefícios e malefícios.

Ainda vale o conselho de dieta e atividade física acima de tudo!! (Vocês vão cansar de me ler isso no meu blog!)

Até logo!!

domingo, 6 de maio de 2012

Pausa para descanso....

Queridos amigos e leitores, entrei de férias, tumultuadamente há 1semana. Neste período, de 02/05 a 16/05 não me comprometerei a escrever. Todo mundo merece férias... Estou nos EUA e sempre é bom viajar p abrir os horizontes. Impressiona especialmente aqui na Terra do Tio Sam como as porções de comida são enormes, exageradas. Agora, com obrigatoriedade de indicar as calorias das porções pude atestar quão “gordas” também são! Para se ter idéia, na Sbarro, um prato de macarrão com tomate, berinjela e manjericão (parece light?) pode ter 2560 kcal!! Fiquei chocada. O pior é notar o quanto eles apostam na cura por todo e qualquer tipo de suplementos, vitaminas, shakes... Vc compra um estilo de vida que te leva a adoecer e, durante e depois, toma vitaminas e pílulas milagrosas para se livrar das doenças inventadas! Muito chocante! Bom, apos 16/05 certamente estarei de volta, renovada e de cabeça fresca! Um grande abraço a todos, Mariana

terça-feira, 17 de abril de 2012

Dieta e atividade física para emagrecer: mudar é possível?

Muitas pessoas são contra o uso de medicações para emagrecer. Eu também!

Ok, você deve estar se perguntando: “Espera ai, não foi ela mesma quem defendeu o uso da sibutramina, neste mesmo blog?” Deixe eu me explicar melhor. Sou contra o USO ISOLADO E “MILAGROSO” dos medicamentos, até mesmo porque remédio isolado não faz milagre! (Infelizmente, rsrsrsrs) A medicação ajuda e muito principalmente quando temos quadros crônicos de obesidade, distúrbio alimentar (sendo muito comum a compulsão alimentar), comer noturno, e outros que são verdadeiros sabotadores da dieta, e do peso!

Mudar é preciso... mas não é nada fácil. Os hábitos modernos, comidas prontas, super práticas, porém cheias de gordura saturada, farináceos e conservantes embutidos, controle remoto, elevados, carros hidramáticos, máquina de lavar roupa (A Santa!)... tudo muito bom, porém péssimo para o nosso organismo. “A tá, então vou ter que voltar ao tempo da pedra? Lavar roupa na mão, criar galinha em casa, ir trabalhar andando da Barra da Tijuca até o Centro da cidade (e levar 4h para chegar ao trabalho)?” Não, não, não. Pequenas mudanças fazem toda diferença. Muitas vezes (na maioria delas, diga-se de passagem), seja no consultório privado, no ambiente público, ou mesmo numa conversa de bar, as pessoas se revelam fazendo TUDO ERRADO. Não adianta num primeiro momento tentar mudar TUDO: “O Senhor(a) vai ter que seguir essa dieta (super rígida), iniciar atividade física 5x na semana, parar de beber bebida alcóolica, cortar doces... e escalar o Himalaia (esse ultimo é brincadeirinha).” Para 99% das pessoas isso é IMPOSSIVEL!! Tudo, ao mesmo tempo agora, não dá!

Mudar o estilo de vida é difícil mas não impossível. Isso implica em mudanças de hábitos sedimentados ao longo de anos, muitas vezes hábitos passados de geração em geração. Mudança de conceitos e quebra de preconceitos. Mudar é difícil mas não impossível. Existem alguns pontos muito importantes para se obter o sucesso nessa jornada:

1. Auto conhecimento é fundamental! Cada um tem um jeito e sabe o que é difícil para si. Traçar uma estratégia é fundamental! Nada é impossível!!

2. Sedentário. Inicie uma atividade física que lhe dê prazer: dança de salão (sempre sonhei em fazer), natação (super relaxante), yoga, luta (já fiz jiu-jitsu- M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O. Excelente para extravasar o estresse), tênis, bicicleta... caminhada...qualquer coisa. Ah tá, nada te dá prazer? Odeia atividade física? Tem que fazer mesmo assim. Escolha uma e se condicione a ir pelo menos 3x por semana. “Não tem tempo?” Arranje!! Pode ser 10 min de caminhada diária. Parece pouco? É um início. O importante é criar o hábito. Após 1 semana caminhando 10 min/dia, aumente para 15 min, depois 20 min... até alcançar 30 min. O importante é criar o hábito!!

3. “Não tenho tempo de comer direito” (só pra comer errado? Não entendi??). Não boicote você mesmo. Tempo é organização. Existe uma infinidade de opções hoje de comida saudável congelada, opções múltiplas de sanduiche + salada caseira, frutas e polenguinho light embalado individualmente, que podem ir na bolsa... Basta se organizar! Mesmo comendo na rua é possível fazer um refeição leve. Tudo são as ESCOLHAS que você faz.

4. Estabeleça metas realistas: Primeiro melhore sua alimentação não comendo doce de sobremesa (no trabalho) durante 6 dias da semana, por exemplo. Na outra semana, troque o pão francês ou o branco por pão light integral e tudo o que for “gordo” por light (leite integral por desnatado, queijo amarelo por branco/requeijão light, iogurte integral pelo light, açúcar por adoçantes, etc). Na próxima semana, corrija as quantidades... Pequenas mudanças podem somar grandes, enormes mudanças quando são feitas de forma lenta e no seu ritmo. Você tem que se acostumar com essa “nova vida”.

5. Use as escadas. Ande até o restaurante, academia, banco... evite o carro para pequenas distancias. Não faça drama!! Ouse! Aproveite um dia bonito para ir a pé! Crie coragem e vá!

Neste processo o apoio da família e dos amigos é fundamental. Muitas vezes estamos “dormindo com o inimigo” (é apenas uma metáfora rsrsrsrs). É a mãe que te oferece o seu prato “calórico” predileto, que ela fez especialmente pra você; o amigo que te leva num bar e quer “rachar” uma porção de batata frita... Neste caso, mudar fica ainda mais difícil! Mobilize todo mundo a te ajudar. E se você esta ao lado de alguém tentando mudar: “Pelo amor de Deus, ajude essa pessoa!! Colabore e não boicote esse processo tão difícil e custoso!” De qualquer forma o principal interessado em emagrecer, ganhar saúde, para de fumar... é VOCE!!!

Se organize. Planeje. MUDAR é possível! Eu ainda acredito nas pessoas! J

domingo, 8 de abril de 2012

Chocolate: Vilão ou mocinho?














Amo chocolate! Desde criança a Páscoa sempre foi especial para mim. Dentro da minha religião é época de repensar a vida, tentar ser uma nova pessoa, renovar as esperanças, renascer! Além disso, sempre aguardei ansiosamente o Domingo de Páscoa por causa dos CHOCOLATES. Sempre amei chocolate!!! Mas será que o chocolate que tanto amo é um pecado para minha dieta? Renove suas esperanças, em comer chocolate sem tanta culpa, nas linhas a seguir...

O chocolate é feito a partir da pasta de cacau. O cacau, quando os primeiros colonizadores espanhóis chegaram à América, já era cultivado pelos índios, principalmente os Astecas, no México, e os Maias, na América Central. Eles consideravam as sementes de cacau tão valiosas que as usavam como moeda e o cacaueiro era considerado uma planta sagrada. O primeiro nome dado à árvore do cacau foi Amygdalae pecuniariae, que quer dizer “amêndoa-dinheiro”, por seu significado como moeda de intercâmbio. No entanto, foi o sueco Carl von Linne quem realizou a primeira classificação botânica, denominando-a Theobroma cacao, que significa “cacau, alimento dos deuses” ( e eu concordo em gênero, número e grau!).

O cacau é rico em flavonoides que possuem inúmeras ações importantes para nossa saúde. Alguns estudos já mostraram que tem propriedades anti-inflamatórias (atuando de forma a melhorar doenças que tem aumento da inflamação como doenças autoimunes, a própria doença coronariana, e diabetes), diminuindo risco de doença cardiovascular, diminuindo o colesterol ruim (LDL), diminuindo triglicerídeos (gordura no sangue). Em um estudo realizado em 2004, o consumo de cacau e de chocolate aumentou a concentração de colesterol HDL (colesterol “bom”), o que está relacionado com a diminuição do risco de doenças cardiovasculares. Em outro estudo, foi demonstrado que o LDL (colesterol “ruim”) não sofre oxidação (se tornando ainda mais agressivo e maléfico) dentro do organismo por causa do efeito antioxidante de compostos presentes nos alimentos, como os flavonóis do chocolate, a vitamina E e C.

Os flavonóides encontrados no cacau agem também na diminuição da pressão arterial, interferindo na melhora da função endotelial dos vasos sanguíneos (células que revestem os vasos sanguíneos por dentro mantendo sua integridade).

Apesar de ser um alimento de alto valor energético (cerca de 523,8 Kcal em 100g), o chocolate quando consumido moderadamente pode inclusive ajudar na perda de peso. Alguns estudos sugerem que o consumo moderado de chocolate com >50% de cacau na sua composição, como sobremesa, 2x na semana, está associado a menor índice de massa corporal, ou seja, a indivíduos mais magros, quando comparadas as dietas de pessoas com mesmo numero de calorias totais no final de um dia.

Já é sabido que em pessoas com compulsão por comida, quanto mais se restringe a dieta, maior a chance de se ter um episódio de compulsão alimentar (ingestão descontrolada de comida, geralmente de alto valor calórico). Após esses episódios de compulsão, a pessoa se sente extremamente culpada e triste. Muitas vezes, esse é o FIM de um programa de emagrecimento e mudança do estilo de vida.

Mas todos os chocolates são iguais?

Não. O chocolate branco não tem cacau, logo, não tem as propriedades boas dos flavonoides. O chocolates ao leite tem menos flavonóides que o meio amargo e o amargo, além de ter maior conteúdo de leite e açúcar (sendo mais calórico)

O chocolate amargo (contendo no mínimo 50% de massa de cacau) seria o mais benéfico para o coração. Os melhores resultados foram obtido com chocolates contendo mais de 70% de cacau. Estes chocolates também são ricos em magnésio, em concentrações de 300mg/100g, suprindo a quantidade diária deste nutriente, que por sua vez tem ação antagônica ao cálcio, favorecendo o controle da pressão arterial.

A tabela 1 mostra de forma resumida os diversos estudos que tentaram avaliar os benefícios do chocolate, sendo a maioria realizados com chocolate amargo ou cacau em pó.

(RODRIGUES, UTFM, REVISÃO SISTEMÁTICA SOBRE A AÇÃO DO CHOCOLATE, CHÁ, VINHO TINTO E CAFÉ NA SAÚDE CARDIOVASCULAR, Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, São Paulo v. 1, n. 2, p. 36-46, Mar/Abr, 2007





Acredito, mais do que nunca, que uma dieta de emagrecimento e manutenção do peso deve ser EQUILIBRADA, sem “maluquices” ou radicalismos. Ser saudável inclui ser FELIZ! J O chocolate pode e deve fazer parte de uma dieta equilibrada, sendo incluído em média 2x por semana como sobremesa, feliz e sem culpa, numa dieta saudável. Isso, além de diminuir o risco de doenças cardiovasculares, diminui a chance de se ter um episódio de compulsão alimentar.

Feliz Pascoa a todos!!!!


quarta-feira, 28 de março de 2012

Importância do sono. Não dormir bem engorda?

Sempre soube que uma noite bem dormida é essencial para saúde do corpo, e até mesmo da alma. Nesta semana, uma noite mal dormida me fez refletir sobre a importância do sono, e que muitas pessoas não sabem do real valor do mesmo. Ou dos males associados ao sono. E o que isso tem a ver sono com Endocrinologia? Descubra nas próximas linhas...
Anteontem dormi muito mal, por causa de preocupação, ansiedade com projetos futuros, luz acesa bem na minha cara após 1 h tentando dormir. Todos esses foram fatores que me atrapalharam. Todos esses são fatores que atrapalham muitas pessoas todos os dias, e nem se quer nos damos conta. Para uma boa noite de sono é essencial:
ü Cama confortável, limpa e cheirosa ü Travesseiro na altura certa ü Ambiente tranquilo, silencioso ü Evitar uso de computadores ou TV com programas/filmes agitados, violentos ou que causem apreensão próximo ao horário de dormir ü Alimentação leve, com pouca gordura, sem condimentos picantes, álcool, ou outros que tornem lenta a digestão ou causem refluxo de ácido do estômago ü Luz ambiente reduzida nas horas anteriores a que se pretende dormir. Ambiente escuro é essencial para um sono de boa qualidade ü Praticar atividade física ü Evitar fumar 2h antes do horário de dormir ü Ter rotina regular de sono, com horário fixo para dormir, e ACORDAR. Evitar dormir durante o dia! ü Evitar estudar ou trabalhar na cama.
Mas o que isso tem haver com meu metabolismo? Primeiramente, que dorme mal tem pior desempenho no trabalho e não tem energia para praticar atividade física. Eu mesma tentei correr (o treino previamente programado) após esse noite fatídica da insônia e meu rendimento foi bem abaixo do esperado. Aqueles que trocam o dia pela noite estão sob maior risco de OBESIDADE. Isso ocorre porque a produção de alguns hormônios importantíssimos para o metabolismo responde a uma um ciclo CIRCADIANO (dia-e-noite, oscilando seus níveis ao longo do dia). A produção de CORTISOL (hormônio do “estresse”, que aumenta glicose, gordura na barriga –visceral- causa pressão alta, dentre outros) e GH (hormônio do crescimento) é diretamente influenciada pelo sono, pela atividade motora (quando dormimos a ativ. motora diminui e acordados, aumenta) e pelo padrão de alimentação. No ano passado a Sociedade Americana de Endocrinologia (“The Endocrine Society” ) dedicou uma publicação especialmente para falar sobre esse tema.
O “dormir mal” a que me refiro também inclui a Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono: o famoso “roncador”. Esse indivíduo que ronca atrapalha quem dorme com ele (esposa, irmão, colega de quarto) mas prejudica principalmente a si mesmo. O ato de roncar a noite já foi amplamente demonstrado com responsável pelo desenvolvimento de hipertensão arterial (pressão alta), obesidade visceral (quando a pessoa engorda e fica com a barriga principalmente aumentada, e dura), DIABETES e colesterol alto. E quanto mais a pessoa engorda, piores ficam das complicações!! É um ciclo vicioso! Além disso, é comum muita sonolência de dia, queda da atenção e diminuição do rendimento intelectual. A pessoa já acorda cansada, sendo comum a sensação de que o sono não foi restaurador. A avaliação da causa do “ronco” (apneia do sono) é fundamental. Existem muitas causas e, para tratar adequadamente, nada melhor que descobrir a causa mais provável.
Vale tomar remédio para dormir? Bom, dependendo da causa da insônia ou do sono ruim (como é o caso dos que roncam) os calmantes podem PIORAM o sono, relaxando demais a musculatura do pescoço e piorando a apneia do sono. Além disso, um estudo recente mostrou correlação entre o USO DIARIO de benzodiazepínicos (os famosos “calmantes”) e AUMENTO DO RISCO DE CANCER!!! (isso me chocou!). A melhor conduta seria fazer os ajustes ambientais para um sono tranquilo, tratar a apneia do sono, e recorrer aos calmantes apenas esporadicamente, como uma medida emergencial, não fazendo disso uma rotina.Sendo assim, podemos concluir que uma noite de sono tranquilo e restaurador é importantíssima para SAUDE e previne doenças, além de te deixar pronto para um dia produtivo e ativo! Cuide do seu sono e fique mais magro e saudável!