Muito se fala em vida saudável nos dias de hoje, mas poucos sabem do que se trata realmente ter uma vida assim. Praticar, então, essa tal vida saudável, fica mais difícil ainda!
Há muita informação no mídia, internet, jornais, entretanto muitas são as dúvidas...
Este espaço foi criado para divulgação de informações sobre tópicos relacionados a saúde, atividade física, dietas e assuntos afins, com um foco especial na área da Endocrinologia, na qual atuo.
Aproveitem!!!

domingo, 24 de novembro de 2013

Estou de volta com novidades!!! Afinal, o que mesmo faz a testosterona?

Após um longo tempo sem escrever estou de volta! Inicialmente gostaria de justificar minha ausência: acabei de ter uma filha e para aqueles que já passaram por isso sabem que não é fácil equacionar vida profissional com um neném recém nascido. Nem sempre eles estão calmos e serenos como nesta foto...


Pois bem, agora recomeço com gás total. Eu dei uma parada, mas o conhecimento não para de crescer... 
Minha inspiração para este recomeço foi uma materia recem publicada numa das revistas de mais renome no meio científico, New England Journal of Medicine, que em muito esclarece sobre o papel biológico da testosterona. Num estudo muito bem bolado e conduzido, trataram homens de modo que ficasse bloqueada a produção de hormonio masculino TESTOSTERONA. Trataram estes homens, então, com testosterona injetavel somente ou com testosterona injetavel associada a um bloqueador da conversao deste hormonio (ANASTROZOL) a estrona (que é um hormonio feminino). Naturalmente, parte da testosterona produzida pelo organismo masculino ou administrada por meio de injecões é convertida a esse hormonio feminino. Esses pesquisadores queriam saber qual o real papel do hormonio masculino (testosterona) nas funções atribuídas a ele, como:
aumento da libido
aumento de massa muscular
aumento de celulas vermelhas no sangue (hemácias)
diminuição de massa gorda (tecido adiposo)
aumento da potência sexual, sendo os principais.
O que surpreendeu a todos foi que, ao contrario do que se pensava, o hormônio feminino, quando a testosterona é convertida a estrona, é que é responsavel pela diminuição do percentual de gordura . A testosterona, exclusivamente, parece sim ter importancia nos quesitos percentual de massa magra, força muscular e tamanho do musculo. A manutenção da libido e da potencia sexual foram influenciados por ambos os hormônios, dependendo de ambos para ter sua função normal. Essas informações quebram paradigmas e ratificam que estamos sempre aprendendo... Nenhum conhecimento é absoluto!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

"Eu tenho tireoide!" Mas será que é só você que tem?


Uma frase muito frequentemente ouvida por médicos, mas especialmente pelos endocrinologistas é : “Doutor(a), eu tenho Tireoide!”. Sempre que ouço essa frase penso: “Graças a Deus!!!”. Isso porque o normal e saudável é nós termos a glândula Tireoide, localizada no pescoço, funcionando bem. O que algumas pessoas tem, além da Tireoide, seria um mal funcionamento desta glândula ou nodulações dentro da glândula, que podem, em alguns casos corresponder a uma doença mais grave nesta glândula (falarei disso num segundo post).  O site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia esclarece muito bem sobre o que é a “Tireoide” e as alterações nesta glândula: http://www.endocrino.org.br/tireoide/



Os problemas mais comumente encontrados na glândula tireóide são a baixa função dessa glândula, chamado hipotireoidismo, ou a hiperfunção (quando a tireóide funciona mais que o necessário), chamado hipertireoidismo.
No hipotireoidismo os sintomas mais comuns são moleza, cansaço, sono excessivo, pele seca, ganho de peso ou dificuldade para perder peso. Alterações menstruais e de fertilidade (dificuldade para engravidar) podem ocorrer nas duas condições. Ambas as doenças, hipo ou hipertireoidismo podem acontecer em qualquer momento da vida. A Gestação, entretanto, é um período de maior risco de alteração da tireoide, que pode ser passageira, mas deve ser acompanhada.

No hipertireoidismo, a Tireoide libera muito homônimo, causando uma aceleração no metabolismo. São comuns sintomas como perda de peso, taquicardia (coração acelerado, palpitações), arritmias cardíacas, nervosismo, dificuldade para dormir, olhar vivo (olho arregalado) e pele fina e quente, dentre outros sintomas. Também podemos observar crescimento da tireóide na frente de pescoço (bócio).


O acompanhamento por um médico endocrinologista é essencial quando se descobre alguma alteração na Tireoide, pois este profissional pode não só avaliar e tratar a condição atual como prever implicações destas doenças ao longo do tempo. Não deixe de consultá-lo!!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Vitamina D baixa pode causar novos ataques de Esclerose Múltipla

Já falamos anteriormente sobre os benefícios e a importância da vitamina D. Estudos sobre a influência da vitamina D na nossa saúde, entretanto, não param de ser divulgados. Recentemente publicado na revista “Annals of Neurology”, um estudo mostra a relação entre deficiência desta vitamina e novos "ataques” da doença Esclerose Múltipla. A esclerose múltipla é uma doença que leva a perda progressiva de funções neurológicas e acontece em "surtos", ou seja, de tempos em tempos a doença "ataca" e acomete uma parte diferente do sistema nervoso levando a um deficit da função desta parte, ocasionando uma "sequela neurológica" ou a perda de uma função, como por exemplo, o movimento da uma parte do corpo, dificuldade na fala, dentre outros. Não há cura para esta doença e os tratamentos visão diminuir a quantidade e a frequencia desses surtos de reativação.


Observando pacientes que já tinham o diagnóstico de Esclerose Múltipla, um grupo de pequisadores da Universidade da Califórnia comparou os níveis de vitamina D no sangue e a atividade da doença. De 2004 a 2009 foram avaliados 469 pessoas. Os pesquisadores concluíram que, naqueles que tinham deficiência de vitamina D, o risco era maior de novos surtos da doença e também de piora das lesões ativas. Além disso, a reposição de vitamina D diminuía tanto novos surtos como gravidade das lesões ativas (cada 10 ng/ml de aumento na vitamina D diminuía o risco em 15% de novas lesões e em 32% de lesões ativas).

Mais um estímulo para cuidar da nossa vitamina D!

domingo, 20 de janeiro de 2013

Hormônio da tireoide: consumo para emagrecimento


Hormônio da tireoide tem onda de consumo para emagrecimento

  • Moda de consumo de medicamento em academias foi identificada por Conselho Regional de Educação Física

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/hormonio-da-tireoide-tem-onda-de-consumo-para-emagrecimento-7339685#ixzz2IWTxBbG9
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   O Jornal “O Globo” deste domingo publicou uma reportagem ALERTA sobre o uso, por conta própria ou indicado de forma equivocada, de hormônio tireoidiano com "emagrecedor". Fato esse grave e coloca em risco a VIDA de quem se submete a esse uso. Mas será que isso é mesmo uma novidade? Quais os riscos? Qual o preço que estamos dispostos a pagar por um corpo esculpido?





   O uso de hormônios tireoidianos "manipulados", seja explicitamente em fórmulas para emagrecer os disfarçadamente com codinomes como "tiratricol" ou sob nome de "produtos naturais", tem relatos bem antigos. Inclusive foi de certa forma "aceito" na década de 80 com a justificativa de tentar normalizar o nível do hormônio tireoidiano ativo (T3 total) que diminui nas dietas de baixa caloria. Posteriormente, demonstrou-se que essa diminuição era fisiológica e a reposição não trazia benefício ao emagrecimento, acrescentado, sim, riscos inaceitáveis. O uso, seja do precursor do hormônio tireoidiano (T4) ou do hormônio em sua forma ativa (T3, triiodotironina, tiratricol), para emagrecimento baseia-se no fato que esse hormônios aceleram o metabolismo induzindo um estado de hipertireoidismo e altíssimo gasto calórico. O que os “médico” ou “curiosos da área de emagrecimento” não divulgam (será que eles sabem?) é que esse hipertireoidismo não se restringe ao metabolismo energético mas provoca:
1.    Taquicardia (aumento da frequência dos batimentos cardíacos)  com alto risco de ARRITMIAS como fibrilaçãoo atrial, flutter atrial, podendo provocar infarto no coração e DERRAME CEREBRAL (AVC isquêmico) !!!!
2.    INSUFICIÊNCIA CARDIACA
3.    Consumo muscular, com diminuição de massa muscular e fraqueza muscular
4.    Alterações psiquiátricas como alucinações, esquizofrenia, quadros ansiosos, insônia.
5.    Tremores
6.    Alterações menstruais e de fertilidade

   E o pior é que as pessoas ainda se submetem a esses tratamentos!! Enquanto estava escrevendo este post parei para um almoço de domingo entre amigos médicos. O assunto é claro incluía comentários de “casos clínicos”. Um amiga intensivista, então, relatou um caso recente internado nesta última semana no CTI de um grande hospital do Rio de Janeiro, de uma mulher de meia idade que apresentou insuficiência cardíaca e respiratória ficando em estado MUITO GRAVE , entubada e sob suporte de drogas e aparelhos  após uso de hormônios tireoidianos de “reposição”. Usava doses altas de T4 e T3 (o que é proscrito atualmente!). Tinha níveis de hormônios no sangue 18 vezes maior do que o máximo da normalidade !!!! Ficou uma semana em estado MUITO GRAVE sob esforços intensos de toda equipe para controlar esse hipertireoidismo. Graças a Deus e a equipe de médicos, enfermeiros e farmacêutico maravilhosa, que a assistiam, se recuperou. Vale a pena?
Outro fato importante é o depois... O uso exógeno desse hormônios bloqueia a produção normal pela tireoide. O retorno das funções normais pode demorar de 1 a 12 meses para se recuperar. Durante esse período a pessoa fica em HIPOTIREOIDISMO que é justamente o oposto vivido anteriormente. Um estado igualmente perigoso e que lentifica o metabolismo. Mais uma vez, será que isso vale a pena? Até quando vamos ficar depositando nossas energias procurando “milagres” que por enquanto não existem? Vale a pena confiar nossas vidas a esse “picaretas”. Na dúvida, basta consultar o site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Sociedade Brasileira de Obesidade. Nesta paginas existem avisos, reportagens e informações sempre atualizadas sobre o que é ou não aceitável como tratamento na área de emagrecimento. Vale também conhecer a formação do seu médico, se é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela SBEM. Não confie seu maior bem, sua vida, nas mãos de qualquer um!!




quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Obesidade, diabetes e bactérias intestinais. Qual a relação entre eles?



Após um longo período sem escrever estou de volta, e com força total! Não, eu não deixei  de estudar! Ocorre  que gosto de escrever sobre algo que  desperte a minha curiosidade e a de vocês (imagino...). Gosto de estar inspirada, e nas ultimas semanas não estava muito... Bom, o assunto que escolhi para falar foi um tema que foi enviado por uma professora da USP nesta semana e coincidentemente saiu na Revista Veja também. Qual a influência das bactérias intestinais no nosso peso corporal e na chance de termos DIABETES? Já tinha abordado este assunto num post anterior, mas agora tenho detalhes interessantes.

Quando nascemos nosso intestino não possui nenhuma bactéria. É estéril. A medida que nos alimentamos e temos contato com nossos pais, vamos sendo "colonizados" por bactérias intestinais. Até recentemente, acreditava-se que essas bactérias protegiam o intestino de infecções por outras bactérias nocivas a saúde e que poderiam nos causar doenças sérias. Sim, isso ainda é verdade. O que estamos descobrindo é que essas bactérias além dessa função, protetora, também podem ser responsáveis por OBESIDADE e DIABETES. Isso é incrível ! (na minha humilde opinião) Lembro-me quando ainda na faculdade estudei que podiam ser identificadas bactérias nas placas de ateroesclerose, do coração, sendo levantada a hipótese que a doença coronariana seria desencadeada por infecção bacteriana. Em seguida, a síndrome metabólica (que é a combinação de diabetes, obesidade, principalmente no abdome, aumento de colesterol e triglicerídeos, e pressão alta) foi associada a um estado INFLAMATÓRIO tal e qual o que ocorre durante infecções. Agora, temos evidências de que dependendo da "qualidade das bactérias intestinais" podemos desenvolver DIABETES e OBESIDADE. Todos esses dados juntos são muito interessantes.
OK, mas quais são as evidências dessa hipótese de bactérias intestinais causando obesidade e diabetes? Em 2009 saiu um artigo na revista Science (Science, 29 May 2009, p. 1136) no qual ratos obesos emagreceram, mantendo sua dieta, após terem sido tratados previamente com antibióticos e , posteriormente, terem sua microbiota (bactérias residentes no intestino) substituída pela de outros ratos naturalmente magros. Nesta época, um microbiologista chinês, Zhao Liping, que estava lutando com a obesidade, resolveu testar nele mesmo essa teoria. Tinha engordado 30 kg durante sua pós-graduação e sofria com as consequências da síndrome metabólica. Começou, então, a utilizar uma raiz chinesa (um tubérculo parecido com batata doce) e uma fruta chamada bitter melon. Em comum, ambos os alimentos são conhecidos por suas propriedades PROBIOTICAS. Estimulam o crescimento de algumas bactérias em detrimentos de outras no intestino, mudando o perfil da microbiota intestinal. O resultado foi que o pesquisador EMAGRECEU 20 kg em 2 anos.


 Seus problemas decorrentes do excesso de peso cessaram e ele conseguiu manter esse peso até agora. analisou o perfil de bactérias das próprias fezes e percebeu que elas eram de qualidade e proporção (quantidade) diferentes!! Mas como bom pesquisador, Zhao sabia que "sua experiência pessoal" apenas não seria suficiente para convencer o mundo de sua teoria. Iniciou uma série de estudos sendo um deles com um grupo de 123 indivíduos obesos (com IMC>30) submetidos a uma dieta com prebióticos. Noventa e três pessoas completaram o estudo, tendo emagrecido 7Kg. As toxinas intestinais e as bactérias intestinais eram totalmente diferentes. Animado com esses resultados, está conduzindo uma nova pesquisa, agora em 3 cidades diferentes da China com um total de 1000 pessoas! Num outro estudo, agora realizado na Holanda, outro grupo de pesquisadores estudando pessoas obesas e diabéticas, apenas utilizando alimentos pro bióticos, sem mudar a rotina de alimentação e atividade física, observou uma diminuição de peso e melhora do diabetes.
Bactéria que causam menos "inflamação" seriam mais benignas dando chance para o organismo atingir um novo equilíbrio, mais saudável.

Esses resultados são animadores, mas o principal recado é que ainda temos que aprender muito no quesito diabetes e obesidade!! Para isso, é primordial continuar investindo em pesquisa básica.... mas existe luz no fim do túnel!!!


Esta imagem foi retirada da revista Veja ed 2297- ano 45- n 48


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Hábitos fazem de nós quem somos! Em que diferem os americanos e os franceses?





   Acabei de voltar de férias de França encantada! Díficil não se encantar com um lugar de história rica, comidas gostosas, vinhos maravilhosos, arquitetura rebuscada, que dita moda há muito tempo! Viajar, pra mim, também é observar hábitos e apreender com eles. Fiquei 15 dias na França e desde o princípio chamou-me a atenção de, apesar da famosa culinária e do gosto pelo “comer”, não encontrarmos obesos pelas ruas. Fato é que dificilmente topamos com alguém com sobrepeso. Fiquei então me perguntando o por quê de apesar de reverenciarem a boa culinária, de serem o país do croissant e de iguarias da pâtisserie e de gastarem em média 2 a 3h em pelo menos uma refeição principal do dia eles são magros (bem magros!)? Neste mesmo ano também fiquei 15 dias nos Estados Unidos. A sensação era a oposta: terror com os milhares de obesos e grandes obesos que esbarram o tempo todo com você.  A França é o país mais magro da Europa, sendo apenas 9,4% da população obesa! Assustador quando comparamos com os Estados Unidos com seus 30,6 % de obesos! Mas o que eles fazem para serem magros? Como explicar que num país de culinária mundialmente famosa as pessoas são magras? Pensei muito sobre isso, observei, li. Vamos ver e comparar alguns fatos:

França
Estados Unidos
As pessoas comem devagar e apreciando a comida. O marido francês de uma amiga que está morando em Paris demora 3h jantando! Comendo vagarosamente, degustando, entrada, prato principal e queijo (isso mesmo, queijo ao invés de sobremesa doce). Sem ver televisão, ou dividir a atenção com mais nada.
FAST FOOD já diz tudo = é a cultura do comer RAPIDO, andando, resolvendo os problemas, sem nem se dar conta do que e do quanto se come. Café da manhã geralmente no carro, enquanto se dirige para o trabalho, almoço em pé na rua ou na mesa de trabalho, lendo, vendo um flme, sem perceber a comida.
Comer até se saciar e nada mais. Em geral os franceses comem até se saciar, com “elegância” e não “por comer”. Quando satisfeitos, saem da mesa.

Comer com os “olhos”, tudo tamanho GG. Comer muito! "Você aceitaria o tamanho maior dessa promoção por apenas 50 centavos a mais?"
E os croissants, “pain au chocolat” (folheados com recheio de chocolate), docinhos presentes em cada esquina? Perguntamos como não engordam comendo isso. Resposta: “Não comemos isso todo dia! Normalmente, no café da manhã, comemos uma torrada integral ou uma fruta.”

“Oreos”, “cookies”, sanduiches, pizza e muitos produtos industrializados, todos fazem parte SIM da refeição básica da maior parte dos americanos. Chocante para mim ver no programa do Jamie Oliver (cozinheiro inglês que percorreu as escolas fundamentais dos EUA) que muitas crianças americanas não reconhecem frutas e legumes por NUNCA TEREM VISTO esse em sua forma “natural”, pois seus pais não consomem esses alimentos ou só compram produtos congelados ou pré-prontos.
Refrigerante? Não vemos quase ninguém bebendo. Quando víamos, logo constatávamos serem AMERICANOS. Nas refeições: vinho e/ou agua. Nos intervalos? Água. Santa água
Refrigerante substituindo água. Vendido aos “baldes” de 750 mL, 1000 mL ou mais. O refrigerante tem sido apontado como uma das principais causas da obesidade e da liderança dos EUA com o pais mais gordo do mundo!
Por todos os cantos tinha alguém correndo ou andando de bicicleta. Muitas bicicletas com pessoas de todas as idades em cima delas. Testei o Velib em Paris: mais de 300 estações espalhadas por toda cidade, sendo os primeiros 30 min de graça. Fácil e pratico, sem necessidade de cadastro antecipado.
Todos andando de carro. Carros, muito carros, automáticos, luxuosos... andar pra que?

    A França é o país mais magro da Europa, porém existe um alerta de que apesar disso o percentual da população com sobrepeso e obesidade tem crescido, acompanhando a tendência dos outros países europeus. Ainda assim, a França continua magra, linda, saudável e colorida. Quero seguir esse caminho e ser cada dia um pouco mais francesa. Cultivar o "comer com elengância, degustando, apenas para ficar satisfeita", correr e andar de bicicleta para me locomover, beberpreferencialmente água nas refeições, e um vinho tinto de vez em quando ( Até porque faz bem para o coração, em quantidade moderada).
Até a próxima!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Menopausa e terapia de reposição: fazer ou não fazer, eis a questão.




O estudo WHI (Women’s Health Initiative), que provocou um verdadeiro “rebuliço” na vida das mulheres em terapia de reposição hormonal (TRH) ou daquelas que pretendiam faze-la, completa 10 anos. Nesse tempo muitas lições foram apreendidas. Acho ser essa uma boa hora para rever alguns conceitos e preconceitos sobre esse assunto.

            Muitas mulheres sofrem com o climatério, período de mudanças hormonais na mulher que causa diversos sintomas, e que engloba a menopausa, que determina o final da vida reprodutiva da mulher.  Período muito conturbado e que traz, nos próximos anos, mudanças em praticamente todos os sistemas e aparelhos. Alem disso,  aumenta o risco de doenças sérias como OSTEOPOROSE, INFARTO e, até mesmo, CÂNCER DE MAMA. Opa! Espere um momento. Vamos rever os fatos: CANCER ? Alguns podem se perguntar como a menopausa pode aumentar o risco de câncer se o próprio estudo WHI foi INTERROMPIDO pelo AUMENTO da incidência de câncer de mama nas mulheres em reposição hormonal. De forma resumida, o estudo WHI comparou as incidências de doenças cardiovasculares, câncer (CA) e osteoporose grosso nas mulheres em TRH, em relação a outras mulheres em menopausa sem TRH. Uma das hipóteses era que a TRH reduziria a progressão de eventos cardiovasculares sem alterar a chance de desenvolver câncer “estimulado” pelos hormônios, com câncer de mama ou endométrio. O grupo de mulheres usando estrogênio + progesterona (que é necessária para mulheres que tem útero, não são histerectomizadas) interrompeu o tratamento pelo significativo aumento do número de câncer de mama. Isso, divulgado no Jornal Nacional (Rede Globo), provocou um verdadeiro “desespero” entre as mulheres em TRH e em alguns médicos. O que sabemos hoje é que isso parece ser verdade por causa do TIPO de progesterona usada no estudo: medroxiprogesterona, que aumenta, sim, o risco de CA mama. Acontece que este tipo de progesterona não é o mais utilizado atualmente nem tampouco na dose (alta, aproximadamente 6x superior a que hoje é utilizada) que foi a do estudo. Analises posteriores mostraram que com a divulgação do WHI a prescrição de TRH diminuiu em 50% nos EUA. A incidência de câncer de mama (que deveria diminuir se a causa fosse a TRH), entretanto, AUMENTOU nos anos subsequentes, sugerindo que a TRH não teria tanta influencia assim. Além disso, nas mulheres que participaram do grupo repondo apenas com ESTROGENIO, a TRH protegeu contra o CA de mama! Numa revisão sobre TRH publicada neste ano na revista Climateric, especializada em publicações cientificas em climatério, há dados que mostram que a reposição de estrogênio por via trasdérmica (mas não a via oral, utilizada no estudo WHI) reduz incidência de CA de mama e de doenças cardiovasculares (Infarto e acidente vascular cerebral, conhecido popularmente como “isquemia ou derrame cerebral”).
            Outro fato interessante é que a população das mulheres incluídas neste estudo tinham idade média de 63 anos , sendo que 2/3 da amostra iniciou a TRH após 60 anos. Muitas já em menopausa há 10 anos. Atualmente, sabe-se que após a menopausa, principalmente nas mulheres com fatores de risco para doença ateroesclerótica (aquelas que fumam, tem colesterol alto, sedentárias, obesas, diabéticas, ou com historia familiar de infarto/AVC) o processo de formação de placas de gordura é ACELERADO. Quando a placa de gordura esta formada, e alimentada pela gordura do sangue, alguns anos apos a menopausa, o inicio d uso dos hormônios da reposição (principalmente o estrogênio) podem precipitar o rompimento deste placa de gordura, e causar um infarto.
Resumindo as críticas sobre o estudo WHI:
1)    Progesterona usada foi SINTETICA (e não a “natural”, progesterona micronizada, igual a produzida por nós).
2)     Alta dose, aproximadamente 6x maior que a utilizada atualmente.
3)    Estrogênio foi dado por via oral, que sofre efeitos ao passar pelo fígado, podendo causar danos hepáticos e alterando a produção de colesterol e triglicerídeos. Preferimos atualmente a via de administração trascutânea (gel ou adesivo).
4)    Estrogênio utilizado foi conjugado, sintético, sendo hoje utilizado o estrogênio análogo ao nosso, mais “natural”.
5)    Mulheres incluídas já tinham muito tempo de menopausa, algumas mais de 10 anos. Já tinha doença coronariana ESTABELECIDA, não sendo a TRH útil para PREVENIR a evolução deste doença que já estava em curso.

Então, vale ou não vale a pena repor hormônios nas mulheres menopausadas? Depende!! Mulheres no primeiros 5 anos pós menopausa estão “na janela de oportunidade” para fazer a reposição e tem SIM muitos benefícios. Enumerando os benefícios:
1)    manutenção do tônus muscular, diminuindo a substituição que ocorre com a idade, de gordura entremeada nos músculos
2)    Diminui a perda de massa muscular e força que ocorre com o envelhecimento
3)    Prolonga a “vida sexual ativa” com mais qualidade- libido, lubrificação vaginal, etc.
4)    Previne osteoporose
5)    Previne doença cardiovascular
6) Previne perda de memória e alguns tipos de demência.
Por quanto tempo? Enquanto houver beneficio, quiçá para sempre!

É claro que todo tratamento deve ser julgado individualmente e respeitando as necessidade e peculiaridades de cada um, mas são muito os benefícios, quando não ha contraindicações!
Envelhecer com qualidade: acho que é isso que buscamos!!!

Aprofundamento: 
Site: www.feminina.org.br/V Simpósio de Atualização em terapia hormonal na menopausa para endocrinologistas” Aulas em PDF

Climacteric. 2012 Apr;15 Suppl 1 Review.