Nada é impossível! Por mais difícil que pareça, tudo é possível quando você entende que para atingir um objetivo é necessário uma mudança de atitude. O processo de emagrecimento não é diferente. O primeiro passo do sucesso duradouro é a conscientização de que “do jeito que está, não dá para ficar” e de que o peso e a forma física atual são “reflexos dos meus hábitos atuais”. Mas mudar não é fácil! As mudanças reais e duradouras são aquelas que vão acontecendo aos poucos e virando rotina.Naqueles casos em que a perda de peso necessária é muito grande, muitas vezes o tratamento com dieta, atividades física e medicações pode não ser suficiente para atingir perda e principalmente manutenção do peso, sendo indicada a cirurgia bariátrica (com redução do estômago associada ou não a mudança do transito intestinal). Mesmo neste casos, é essencial tentar primeiro o tratamento clinico (dieta + atividade física+ medicações) pois, ainda assim, podemos ter sucesso e no caso do sucesso “parcial” (sem perda de todo peso necessário) a complementação com a cirurgia terá muito mais chances de sucesso com menos complicações.Não existe fórmula mágica. Existe sim conscientizaçãoo do problema, estrategia e apoio multidiscicplinar com médico endocrinologista coordenando o cuidado que envolve nutricionista, psicólogo, cirurgião, cardiologista, pneumologista e toda outra especialidade envolvida no cuidado as complicações da obesidade.O vídeo em anexo mostra um caso de sucesso no tratamento clínico realizado em nossa clínica e ilustra muito bem o que é MUDAR HABITOS DE FORMA SAUDAVEL! (Video institucional da Petrobras reproduzido com autorização de imagem)Parabens GC pelo seu sucesso!!!!
Muito se fala em vida saudável nos dias de hoje, mas poucos sabem do que se trata realmente ter uma vida assim. Praticar, então, essa tal vida saudável, fica mais difícil ainda!
Há muita informação no mídia, internet, jornais, entretanto muitas são as dúvidas...
Este espaço foi criado para divulgação de informações sobre tópicos relacionados a saúde, atividade física, dietas e assuntos afins, com um foco especial na área da Endocrinologia, na qual atuo.
Aproveitem!!!
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Mudar é preciso! Emagrecimento saudável = vida saudável = mudança duradoura de hábitos
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Bactérias intestinais e emagrecimento
Há muito tempo já se sabia que o intestino tem bactérias. Nos últimos anos, entretanto, estudos tem chamando atenção para a importância dessas bactérias e seu papel como regulador do nosso metabolismo. Algumas evidências tem inclusive apontado esses microorganismos como “responsáveis” por doenças como obesidade, doenças cardíacas, e distúrbios do sistema imunológico (sistema de defesa do organismo), dentre outras.
Nosso intestino é colonizado por um complexo sistema de bactérias,que auxiliam nosso sistema imunológico, e portanto cuidar bem do intestino significa também cuidar da imunidade.
A ingestão de alimentos que tem a função de melhorar ou restaurar nossa flora intestinal, os chamados pré-bióticos, se torna de grande importância e por isso devemos inclui-los no nosso dia a dia . Os alimentos que fazem parte desse time, são : iogurtes, coalhadas, farelo de aveia , leite fermentado , Kefir , tomate, cebola, trigo ,chicória, mel, cevada, linhaça, chia, quinoa , entre outros . Esses alimentos que são prebióticos, entretanto, também podem provocar mais flatos (gazes), então cuidado com a dose que ira utilizar porque as vezes será necessário ajustar as dose de ingestão. Existe no mercado algumas fibras que tem essa atividade. Para adequar melhor a ingestão desses alimentos e saber a quantidade correta, procure um nutricionista e faça sua adequação alimentar.
Dietas restritivas, ou contrário do que se pensa, podem diminuir esses alimentos e ter efeitos indesejados a longo prazo. Dentre estes efeitos podemos citar inclusive diminuição da imunidade ou alteração deste sistema de defesa do organismo, podendo desencadear ou acentuar doenças autoimunes.
Alguns estudos vem revelando uma correlação importante entre alteração da flora intestinal e surgimento de doença celíaca que é a doença que leva a intolerância ao glúten . Portanto muito cuidado com as restrições sem critérios e sim por modismo !!!!
Procure sempre um profissional para esclarecer sobre suas dúvidas!
Najla Elias Farage (Nutricionista) e Dra Mariana Farage (Endocrinologista)
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terça-feira, 1 de julho de 2014
Deficiencia de testosterona na mulher
A testosterona é o principal hormônio masculino. Obviamente
é muito importante para a saúde e bem estar dos homens. Mas, recentemente, as
mulheres estão sendo medicadas com este hormônio e esta parece ser a nova onda
do momento.
Será que há, de fato, razão para isso? Mulher precisa de testosterona?
Nos últimos meses temos sido procurados por jovens com queixa de queda da
libido (desejo sexual) ou falta de orgasmo e isto foi atribuido à diminuição de
testosterona.
Mulheres naturalmente tem níveis baixos de testosterona ou
outros androgenios. Nelas, esses hormonios sao produzidos pelos ovarios e
glandulas adrenais. Ajudam na libido, no
vigor fisico e manutençao da massa muscular. Mas, atentem, estes efeitos também
são realizados pelo estradiol- hormonio natural da mulher.
Existem, na mulher, doenças causadas por excesso de
testosterona ou de outros androgenios, mas a deficiencia é pouco comum e só
deve ser considerada importante em casos especificos. Como exemplo, a retirada
dos ovarios ou das glandulas adrenais por cirurgias ou por raros casos de
doenças que destroem estas glandulas. Nestes casos, sim, pode-se considerar
reposiçao de baixas doses de testosterona por via cutanea, atraves do uso
diario de gel.
Esse tratamento deve ser feito com cautela pois o uso
inadequado e em doses altas podem trazer
efeitos colaterais sérios, como acne, aumento de pelos escuros em areas pouco
tipicas da mulher como face, tronco, pernas e braços (hirsutismo), voz grossa,
aumento do clitóris, aumento da massa de celulas vermelhas no sangue e trombose.
Em casos mais raros e com doses muito altas, predispõe a mulher ao infarto do
miocárdio.
As queixas relativas a deficiencia de androgenios na mulher
são muito vagas e podem ser fruto de transtornos do humor, como depressão
moderada. Nesses casos há desanimo, cansaço, desinteresse e falta de libido. O
desejo sexual é multifatorial e depende do entrosamento do casal sendo
influenciado por problemas externos, cobranças, brigas, etc. Ou seja, depende
muito do "clima" e de uma serie de incontaveis fatores. A
testosterona, se de fato estiver muito baixa, o que já é difícil de comprovar, é
apenas um aspecto e nem de longe o mais importante. Tratar uma mulher jovem,
que tem ovarios e adrenais funcionando, através do uso da testosterona não só
não tem beneficio como pode ter muitos maleficios. Ano passado, a Sociedade
Americana de Endocrinologia (The Endocrine Society) publicou uma diretriz exclusivamente
de uso de androgenios na mulher ratificando esse posicionamento.
Portanto, cuidado com o modismo. Vamos evitar a criaçao de
novas doenças com tratamentos inadequados. Nem tudo pode ser
"medicalizado". (Colaboração Dr Amelio F de Godoy Matos)
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domingo, 24 de novembro de 2013
Estou de volta com novidades!!! Afinal, o que mesmo faz a testosterona?
Após um longo tempo sem escrever estou de volta! Inicialmente gostaria de justificar minha ausência: acabei de ter uma filha e para aqueles que já passaram por isso sabem que não é fácil equacionar vida profissional com um neném recém nascido. Nem sempre eles estão calmos e serenos como nesta foto...
Pois bem, agora recomeço com gás total. Eu dei uma parada, mas o conhecimento não para de crescer...
Minha inspiração para este recomeço foi uma materia recem publicada numa das revistas de mais renome no meio científico, New England Journal of Medicine, que em muito esclarece sobre o papel biológico da testosterona. Num estudo muito bem bolado e conduzido, trataram homens de modo que ficasse bloqueada a produção de hormonio masculino TESTOSTERONA. Trataram estes homens, então, com testosterona injetavel somente ou com testosterona injetavel associada a um bloqueador da conversao deste hormonio (ANASTROZOL) a estrona (que é um hormonio feminino). Naturalmente, parte da testosterona produzida pelo organismo masculino ou administrada por meio de injecões é convertida a esse hormonio feminino. Esses pesquisadores queriam saber qual o real papel do hormonio masculino (testosterona) nas funções atribuídas a ele, como:
aumento da libido
aumento de massa muscular
aumento de celulas vermelhas no sangue (hemácias)
diminuição de massa gorda (tecido adiposo)
aumento da potência sexual, sendo os principais.
O que surpreendeu a todos foi que, ao contrario do que se pensava, o hormônio feminino, quando a testosterona é convertida a estrona, é que é responsavel pela diminuição do percentual de gordura . A testosterona, exclusivamente, parece sim ter importancia nos quesitos percentual de massa magra, força muscular e tamanho do musculo. A manutenção da libido e da potencia sexual foram influenciados por ambos os hormônios, dependendo de ambos para ter sua função normal. Essas informações quebram paradigmas e ratificam que estamos sempre aprendendo... Nenhum conhecimento é absoluto!
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quinta-feira, 8 de agosto de 2013
"Eu tenho tireoide!" Mas será que é só você que tem?
Uma frase muito frequentemente ouvida por médicos, mas
especialmente pelos endocrinologistas é : “Doutor(a), eu tenho Tireoide!”.
Sempre que ouço essa frase penso: “Graças a Deus!!!”. Isso porque o normal e
saudável é nós termos a glândula Tireoide, localizada no pescoço, funcionando
bem. O que algumas pessoas tem, além da Tireoide, seria um mal funcionamento
desta glândula ou nodulações dentro da glândula, que podem, em alguns casos
corresponder a uma doença mais grave nesta glândula (falarei disso num segundo
post). O site da Sociedade Brasileira de
Endocrinologia esclarece muito bem sobre o que é a “Tireoide” e as alterações
nesta glândula: http://www.endocrino.org.br/tireoide/
Os problemas mais comumente encontrados na glândula tireóide são a baixa
função dessa glândula, chamado hipotireoidismo, ou a hiperfunção (quando a tireóide
funciona mais que o necessário), chamado hipertireoidismo.
No hipotireoidismo os sintomas mais comuns são moleza, cansaço, sono excessivo,
pele seca, ganho de peso ou dificuldade para perder peso. Alterações menstruais
e de fertilidade (dificuldade para engravidar) podem ocorrer nas duas
condições. Ambas as doenças, hipo ou hipertireoidismo podem acontecer em
qualquer momento da vida. A Gestação, entretanto, é um período de maior risco
de alteração da tireoide, que pode ser passageira, mas deve ser acompanhada.
No hipertireoidismo, a Tireoide libera muito homônimo, causando uma
aceleração no metabolismo. São comuns sintomas como perda de peso, taquicardia
(coração acelerado, palpitações), arritmias cardíacas, nervosismo, dificuldade
para dormir, olhar vivo (olho arregalado) e pele fina e quente, dentre outros
sintomas. Também podemos observar crescimento da tireóide na frente de pescoço
(bócio).
O acompanhamento por um médico endocrinologista é essencial quando se
descobre alguma alteração na Tireoide, pois este profissional pode não só
avaliar e tratar a condição atual como prever implicações destas doenças ao
longo do tempo. Não deixe de consultá-lo!!
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sexta-feira, 22 de março de 2013
Vitamina D baixa pode causar novos ataques de Esclerose Múltipla
Já falamos anteriormente sobre os benefícios e a importância da vitamina D. Estudos sobre a influência da vitamina D na nossa saúde, entretanto, não param de ser divulgados. Recentemente publicado na revista “Annals of Neurology”, um estudo mostra a relação entre deficiência desta vitamina e novos "ataques” da doença Esclerose Múltipla. A esclerose múltipla é uma doença que leva a perda progressiva de funções neurológicas e acontece em "surtos", ou seja, de tempos em tempos a doença "ataca" e acomete uma parte diferente do sistema nervoso levando a um deficit da função desta parte, ocasionando uma "sequela neurológica" ou a perda de uma função, como por exemplo, o movimento da uma parte do corpo, dificuldade na fala, dentre outros. Não há cura para esta doença e os tratamentos visão diminuir a quantidade e a frequencia desses surtos de reativação.
Observando pacientes que já tinham o diagnóstico de Esclerose Múltipla, um grupo de pequisadores da Universidade da Califórnia comparou os níveis de vitamina D no sangue e a atividade da doença. De 2004 a 2009 foram avaliados 469 pessoas. Os pesquisadores concluíram que, naqueles que tinham deficiência de vitamina D, o risco era maior de novos surtos da doença e também de piora das lesões ativas. Além disso, a reposição de vitamina D diminuía tanto novos surtos como gravidade das lesões ativas (cada 10 ng/ml de aumento na vitamina D diminuía o risco em 15% de novas lesões e em 32% de lesões ativas).
Mais um estímulo para cuidar da nossa vitamina D!
Observando pacientes que já tinham o diagnóstico de Esclerose Múltipla, um grupo de pequisadores da Universidade da Califórnia comparou os níveis de vitamina D no sangue e a atividade da doença. De 2004 a 2009 foram avaliados 469 pessoas. Os pesquisadores concluíram que, naqueles que tinham deficiência de vitamina D, o risco era maior de novos surtos da doença e também de piora das lesões ativas. Além disso, a reposição de vitamina D diminuía tanto novos surtos como gravidade das lesões ativas (cada 10 ng/ml de aumento na vitamina D diminuía o risco em 15% de novas lesões e em 32% de lesões ativas).
Mais um estímulo para cuidar da nossa vitamina D!
domingo, 20 de janeiro de 2013
Hormônio da tireoide: consumo para emagrecimento
Hormônio da tireoide tem onda de consumo para emagrecimento
- Moda de consumo de medicamento em academias foi identificada por Conselho Regional de Educação Física
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/hormonio-da-tireoide-tem-onda-de-consumo-para-emagrecimento-7339685#ixzz2IWTxBbG9
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O Jornal “O Globo” deste
domingo publicou uma reportagem ALERTA sobre o uso, por conta própria ou
indicado de forma equivocada, de hormônio tireoidiano com
"emagrecedor". Fato esse grave e coloca em risco a VIDA de quem se
submete a esse uso. Mas será que isso é mesmo uma novidade? Quais os riscos?
Qual o preço que estamos dispostos a pagar por um corpo esculpido?
O uso de hormônios
tireoidianos "manipulados", seja explicitamente em fórmulas para
emagrecer os disfarçadamente com codinomes como "tiratricol" ou sob
nome de "produtos naturais", tem relatos bem antigos. Inclusive foi
de certa forma "aceito" na década de 80 com a justificativa de
tentar normalizar o nível do hormônio tireoidiano ativo (T3 total) que diminui
nas dietas de baixa caloria. Posteriormente, demonstrou-se que essa diminuição
era fisiológica e a reposição não trazia benefício ao emagrecimento,
acrescentado, sim, riscos inaceitáveis. O uso, seja do precursor do hormônio
tireoidiano (T4) ou do hormônio em sua forma ativa (T3, triiodotironina, tiratricol),
para emagrecimento baseia-se no fato que esse hormônios aceleram o metabolismo
induzindo um estado de hipertireoidismo e altíssimo gasto calórico. O que os
“médico” ou “curiosos da área de emagrecimento” não divulgam (será que eles
sabem?) é que esse hipertireoidismo não se restringe ao metabolismo energético
mas provoca:
1. Taquicardia (aumento da frequência dos batimentos
cardíacos) com alto risco de ARRITMIAS
como fibrilaçãoo atrial, flutter atrial, podendo provocar infarto no coração e
DERRAME CEREBRAL (AVC isquêmico) !!!!
2. INSUFICIÊNCIA CARDIACA
3. Consumo muscular, com diminuição de massa muscular e
fraqueza muscular
4. Alterações psiquiátricas como alucinações,
esquizofrenia, quadros ansiosos, insônia.
5. Tremores
6. Alterações menstruais e de fertilidade
E o pior é que as pessoas
ainda se submetem a esses tratamentos!! Enquanto estava escrevendo este post
parei para um almoço de domingo entre amigos médicos. O assunto é claro incluía
comentários de “casos clínicos”. Um amiga intensivista, então, relatou um caso
recente internado nesta última semana no CTI de um grande hospital do Rio de
Janeiro, de uma mulher de meia idade que apresentou insuficiência cardíaca e
respiratória ficando em estado MUITO GRAVE , entubada e sob suporte de drogas e
aparelhos após uso de hormônios
tireoidianos de “reposição”. Usava doses altas de T4 e T3 (o que é proscrito
atualmente!). Tinha níveis de hormônios no sangue 18 vezes maior do que o
máximo da normalidade !!!! Ficou uma semana em estado MUITO GRAVE sob esforços
intensos de toda equipe para controlar esse hipertireoidismo. Graças a Deus e a
equipe de médicos, enfermeiros e farmacêutico maravilhosa, que a assistiam, se
recuperou. Vale a pena?
Outro fato importante é o
depois... O uso exógeno desse hormônios bloqueia a produção normal pela
tireoide. O retorno das funções normais pode demorar de 1 a 12 meses para se
recuperar. Durante esse período a pessoa fica em HIPOTIREOIDISMO que é
justamente o oposto vivido anteriormente. Um estado igualmente perigoso e que
lentifica o metabolismo. Mais uma vez, será que isso vale a pena? Até quando
vamos ficar depositando nossas energias procurando “milagres” que por enquanto não
existem? Vale a pena confiar nossas vidas a esse “picaretas”. Na dúvida, basta
consultar o site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
e a Sociedade Brasileira de Obesidade. Nesta paginas existem avisos,
reportagens e informações sempre atualizadas sobre o que é ou não aceitável como
tratamento na área de emagrecimento. Vale também conhecer a formação do seu
médico, se é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela SBEM. Não
confie seu maior bem, sua vida, nas mãos de qualquer um!!
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Obesidade, diabetes e bactérias intestinais. Qual a relação entre eles?
Após um longo período sem escrever estou de volta,
e com força total! Não, eu não deixei de estudar! Ocorre que gosto
de escrever sobre algo que desperte a minha curiosidade e a de vocês
(imagino...). Gosto de estar inspirada, e nas ultimas semanas não estava
muito... Bom, o assunto que escolhi para falar foi um tema que foi enviado por
uma professora da USP nesta semana e coincidentemente saiu na Revista Veja
também. Qual a influência das bactérias intestinais no nosso peso corporal e na
chance de termos DIABETES? Já tinha abordado este assunto num post anterior,
mas agora tenho detalhes interessantes.
Quando nascemos nosso intestino não possui nenhuma
bactéria. É estéril. A medida que nos alimentamos e temos contato com nossos
pais, vamos sendo "colonizados" por bactérias intestinais. Até
recentemente, acreditava-se que essas bactérias protegiam o intestino de
infecções por outras bactérias nocivas a saúde e que poderiam nos causar doenças
sérias. Sim, isso ainda é verdade. O que estamos descobrindo é que essas
bactérias além dessa função, protetora, também podem ser responsáveis por
OBESIDADE e DIABETES. Isso é incrível ! (na minha humilde opinião) Lembro-me
quando ainda na faculdade estudei que podiam ser identificadas bactérias nas
placas de ateroesclerose, do coração, sendo levantada a hipótese que a doença
coronariana seria desencadeada por infecção bacteriana. Em seguida, a síndrome
metabólica (que é a combinação de diabetes, obesidade, principalmente no
abdome, aumento de colesterol e triglicerídeos, e pressão alta) foi associada a
um estado INFLAMATÓRIO tal e qual o que ocorre durante infecções. Agora, temos
evidências de que dependendo da "qualidade das bactérias intestinais"
podemos desenvolver DIABETES e OBESIDADE. Todos esses dados juntos são muito
interessantes.
OK, mas quais são as evidências dessa hipótese de
bactérias intestinais causando obesidade e diabetes? Em 2009 saiu um artigo na
revista Science (Science, 29 May 2009, p. 1136) no qual ratos obesos
emagreceram, mantendo sua dieta, após terem sido tratados previamente com antibióticos
e , posteriormente, terem sua microbiota (bactérias residentes no intestino) substituída
pela de outros ratos naturalmente magros. Nesta época, um microbiologista
chinês, Zhao Liping, que estava lutando com a obesidade, resolveu testar nele
mesmo essa teoria. Tinha engordado 30 kg durante sua pós-graduação e sofria com
as consequências da síndrome metabólica. Começou, então, a utilizar uma raiz chinesa
(um tubérculo parecido com batata doce) e uma fruta chamada bitter melon. Em
comum, ambos os alimentos são conhecidos por suas propriedades PROBIOTICAS.
Estimulam o crescimento de algumas bactérias em detrimentos de outras no
intestino, mudando o perfil da microbiota intestinal. O resultado foi que o
pesquisador EMAGRECEU 20 kg em 2 anos.
Seus problemas decorrentes do excesso de peso
cessaram e ele conseguiu manter esse peso até agora. analisou o perfil de bactérias
das próprias fezes e percebeu que elas eram de qualidade e proporção
(quantidade) diferentes!! Mas como bom pesquisador, Zhao sabia que "sua experiência
pessoal" apenas não seria suficiente para convencer o mundo de sua teoria.
Iniciou uma série de estudos sendo um deles com um grupo de 123 indivíduos
obesos (com IMC>30) submetidos a uma dieta com prebióticos. Noventa e três
pessoas completaram o estudo, tendo emagrecido 7Kg. As toxinas intestinais e as
bactérias intestinais eram totalmente diferentes. Animado com esses resultados,
está conduzindo uma nova pesquisa, agora em 3 cidades diferentes da China com
um total de 1000 pessoas! Num outro estudo, agora realizado na Holanda, outro
grupo de pesquisadores estudando pessoas obesas e diabéticas, apenas utilizando
alimentos pro bióticos, sem mudar a rotina de alimentação e atividade física,
observou uma diminuição de peso e melhora do diabetes.
Bactéria que causam menos "inflamação"
seriam mais benignas dando chance para o organismo atingir um novo equilíbrio,
mais saudável.
Esses resultados são animadores, mas o principal recado é que ainda
temos que aprender muito no quesito diabetes e obesidade!! Para isso, é
primordial continuar investindo em pesquisa básica.... mas existe luz no fim do
túnel!!!
Esta imagem foi retirada da revista Veja ed 2297- ano 45- n 48
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